Importante estudo do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostra que a estação de seca, nos últimos 40 anos, está estendendo por mais um mês no sul do bioma. As conseqüências são aumento de queimadas, mais árvores mortes e problemas para várias espécies afetadas.
A primeira grande seca desse século creio que foi a de 2005. Tive a oportunidade de percorrer a região atingida. Não deu para verificar a situação das espécies afetadas, exceto os peixes, cuja mortandade era evidente.
Ainda não há segundo o cooordenador da pesquisa, José Morengo, uma avaliação completa sobre as causas da extensão da seca no sul da Amazônia.
Sabe-se que é uma área de maior índice de desmatamento e com intervenção humana mais acentuada que no norte.
O Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia, (Ipam) realizou outra pesquisa numa área de um hectare de floresta de Santarém, no Pará.
Ela consistiu na instalação de um sistema de drenagem semelhante a um telhado de plástico, que permite simular os efeitos da seca. Na realidade, o sistema consegue reduzir em 50 por cento as chuvas que caem no espaço pesquisado.
Na área ressecada, a mortalidade das árvores foi de seis a oito vezes maior que no restante da floresta e houve uma redução de 60 por cento na produção de flores e frutos.
Com essa perspectiva de seca, a floresta amazônica, importante por reter carbono, passará, tendencialmente, a aumentar suas emissões a partir da decomposição de um maior número de árvores.
Um estudo feito a partir da seca de 2005 mostra que 2,2 milhões de toneladas de carbono foram liberados por árvores em decomposição. Seu autor, também do Ipam, Paulo Brando, publicou as conclusões na revista Science e acha que a seca de 2010 deve ter provocado um impacto ainda maior.
Ao que tudo indica, os problemas não podem ser reduzidos às estiagens. Eles se chamam mudanças climáticas intensas, pois as chuvas estão mais violentas no período de cheias.
Os dados da pesquisa foram publicados por Renato Grandelle, no Globo.



Comment
[…] Published Estiagem mais longa no sul da Amazônia. […]