Porto Alegre – A dúvida matinal: nosso avião para o Rio conseguirá driblar as nuvens de cinza do vulcão Puyehue? Ou elas se dissipam a ponto de podermos atravessá-la?
Acordei com o pensamento positivo talvez inspirado pela luz meridional. E conto essa história porque hoje é sábado, como dizia Vinicius.
Quando olhei para o corredor pensei: o vulcão não vencerá. O dia vai estar tão bonito e claro como a quinta-feira. Isto quer dizer o seguinte: se o vulcão vencer não será nenhuma tragédia.
Logo no princípio da manhã fui visitar o porto. Ele vai ser revitalizado.
Seu potencial é tão grande como o de Puerto Madero, em Buenos Ayres. Não entendi ainda porque não começaram. Ouvi dizer que há problemas idelógicos. Uma empresa espanhola ganhou a concessão mas o governo do PT parece hesitar. Não seria mais vantajoso deixar nas mãos do estado.
Sei não, acho difícil o estado atracar com um barquinho carregado de R$500 milhões. Mas não vou me meter. A proximidade da Copa do Mundo resolve o problema.
Sai para o Gasômetro, um centro cultural à margem do Guaiba e custei a chegar. Havia uns grafites bonitos no caminho. Minha missão era gravar o comentário de rádio que faço às sextas na Estadão-ESPN.
Achei que o lugar seria tranqüilo naquele momento. Esqueci das crianças. Chegavam aos bandos, gritando. Se é para ter barulho no fundo que seja o dos gritos das crianças.
Terminei meu trabalho de rádio e fui para a palestra na Universidade do Rio Grande.
Fiquei impressionado com o prédio, da década dos 40. Trouxe umas lembrancinhas dele, uma delas está aí.
Fiz a palestra, almocei no Gavinda e voltei para o hotel, para fechar a conta. De novo o vulcão entra em cena. Hóspedes que foram ao aeroporto, pela manhã, voltavam para o hotel. Nada de vôo.
Liguei para a TAM e perguntei pelo vôo e telefonista disse: ainda não foi cancelado. Com essa ambigüidade na mala, parti para o aeroporto Salgado Filho, deu uma melhorada desde minha última visita.
Procurei o velho lugar no café e me indicaram o primeiro andar. Café agora era no primeiro andar, onde havia uma praça de alimentação.
A pista estava vazia. O movimento era pequeno. Não subia, nem descia nada. Repórteres de televisão me abordam e perguntam. Disse que tinha fé porque o dia estava muito bonito.
Passei pelo saguão, tomei café, e nada de pouso ou decolagem. Mas check in eram mais positivos: as chances são grandes.
Por onde andavam as cinzas do Puyehue? Imaginam que foram para os céus de Curitiba, ou se dissiparam no caminho. Aquele aeroporto de Curitiba tem outro adversário no inverno: a névoa.
Na sala de embarque o sol iluminava a todos. Mas não descia avião. Até que as locutoras começaram a anunciar a confirmação de chegadas.
Nosso voo estava confirmado. Fiquei tão feliz que documentei a saída do vôo da Gol, a primeiro a derrotar as cinzas do Puyehue. Vôo 666, para Campinas, portão 3.
Dali a pouco voaria para o Rio onde me esperam um mergulho e um passeio na praia domingo para apoiar o movimento dos bombeiros.
Invertendo o titulo de Levy Strauss, das cinzas ao mel.








3 Comments
Gabeira,
sua presença na Caminhada Domingo é fundamental, seja com jornalista, ex-deputado, cidadão, não importa.
Vc transmite confiança, segurança, bom senso, etc. Caso suaja algo inconstitucional, vc saberá reconhecer (pela experiencia que tem), comunicar o fato aos manifestantes e tenho ceteza d que será ouvido e atendido.
Bombeirei todos esses dias e hoje foi direto. Agora tá batendo sono. Vou dormir.
O RJ precisa MUITO de vc !
abraços,
Gilda #SOSBOMBEIROS
Que beleza, Gabeira. Adorei sua crônica de hoje.
Todos pela luta dos bombeiros, professores e servidores do Estado do Rio de Janeiro, que estão à mingua, num governo que não lhes atribui qualquer valor.
A próxima vez que vieres a Porto tens pit stop obrigatório no Museu Ibere Camargo… Bj grande e obrigada pela visita enriquecedora…