Na sexta-feira, escrevi um artigo sobre a ascensão da esquerda na América Latina e seu declínio na Europa. Ao mesmo tempo em que Ollanta Humala ganhava as eleições no Peru, os socialistas em Portugal sofriam uma grande derrota.
E não foram só eles. Os socialistas espanhóis também foram derrotadas. E agora, o Primeiro-Ministro George Papandreou da Grécia está praticamente jogando a toalha. Propõe a própria saída, para que seu partido faça uma aliança com o centro-direita.
A social democracia não tem condições de gerir a crise. Sua história está associada a constantes melhoras na situação dos assalariados. Chamada a aplicar sérias medidas de austeridade, ela caminha célere para a derrota eleitoral.
Demonstrantes reprimidos nas ruas de Atenas.(France Presse)
Em Atenas, houve choques entre manifestantes e policia. Mas em Barcelona, o parlamento catalão está cercado por manifestantes. Os deputados chegam de helicóptero.
Na Espanha as eleições já foram realizadas. Resta agora o movimento dos chamados indignados que continua vivo. Não se sabe ainda se a fase de cerco ao parlamento tem apoio de todos.
O M15, que está acampado na Praça do Sol, em Madri, afirmou que pretende manter o movimento dentro da legalidade.
O problema é que, num momento de radicalização, aparecem pequenos grupos propondo e mesmo fazendo tudo que pode desgastar a movimentação dos jovens espanhóis. Eles não só cercaram o Parlamento e vaiaram os deputados como jogaram uma garrafa d’água no líder da esquerda,O problema é que a legislação prevê pena de prisão por tentativa de prejudicar o funcionamento parlamentar.
Sem dúvida, os paises onde a crise é mais grave, ficaram complicados para os políticos no poder.


Comment
Gabeira meu caro, não é só a esquerda quem está perdendo eleições. É quem está no poder. O Berlusconi também parou de encantar os italianos e o Sarkhozy não vai bem das pernas.
Não há outra coisa a fazer a não ser acertar as contas públicas como pressuposto para relançar o crescimento sustentado.
Não há muita mágica em economia. Governos muito endividados por causa de déficits importantes perdem acesso ao mercado financeiro, Foi assim na América Latina e está sendo assim nos EUA e na Europa moderna como está se vendo.
Não se inventou nada de novo da crise de trinta para cá para enfrentar esse problema. É Keynes para redinamizar a economia e reequilibar as contas públicas como querem os conservadores.
O governos dos países europeus mediterrâneos, conservadores e progressistas, who cares?, foram irresponsáveis e os emprestadores agoram não querem mais brincar.
Há uma disputa entre a França e Alemanha sobre como ajudar a Grécia. Os bancos na França e na Alemanha estão muito expostos, como dizemos nós economistas na Grécia e em Portugal. O governo alemão já começou a pressionar os bancos alemães a renegociar ou deixar de cobrar parte do que devem o governo francês ainda não foi até aí. Só ficará sério se a Espanha e a Italia forem contagiadas
Vai ser uma pena se a União Eropéias e o Euro forem para o brejo uma possibilidade real nesse momento.
Um abraço, Fernando Ferreira