O problema com as chuvas que caem em janeiro não é só o da repetição das tragédias anteriores, pela ausência do governo.
O problema é também ser obrigado a repetir os mesmos argumentos usados no passado. Por exemplo: criticamos o ministro Geddel Vieira Lima por destinar a maior parte das verbas de prevenção para a Bahia.
Um ano depois, somos obrigados a fazer a mesma crítica ao ministro Fernando Bezerra que destinou 90 por cento da verba nacional ao seu estado, Pernambuco.
Gostaria apenas de apontar dois absurdos adicionais. Bezerra estava de férias exatamente no início das chuvas de verão.Todos sabem que esta é a época mais difícil no sudeste com as grandes chuvas e complicada no sul com a estiagem.
Ele deveria regular seu calendário de férias pela realidade nacional e não por sua visão provinciana.
Outro absurdo. O governador Sérgio Cabral foi a Friburgo, reconheceu que as obras não andaram, mas prometeu que as casas populares começam a ser construidas na semana que vem.
Segundo ele, é um projeto de R$300 milhões. Como iniciar um projeto dessa envergadura exatamente no momento em que começam a cair as chuvas de verão?
Ninguém se lembrou de perguntar a ele se a semana que vem é mesmo o melhor momento para iniciar algo que não fez durante todo o ano.
Essa é a vida. O acordo nacional dá o Ministério da Integração para ministros do Nordeste que não conhecem bem o país.
Sérgio Cabral fala qualquer coisa porque qualquer coisa será registrada sem nenhum viés crítico.
Estamos num clima de crescimento, o Rio terá Copa do Mundo e Olímpiadas, tudo pode acontecer no país e no estado que , mesmo assim, continuaremos contentes.
Com excecão das vítimas da chuva que percebem como foram abandonadas. Mas elas são minoria e seu desalento logo será absorvido na grande euforia nacional.
No auge das chuvas verão, Cabral começa a construir casas populares; no momentos mais dificeis da estação o ministro responsável pela ajuda em desastres naturais tira férias.
E como tudo é feito com naturalidade, ninguém se espanta ou questiona, é possível até que eu esteja delirando.



4 Comments
Gabeira:
Sempre foi assim e parece que sempre será.
Desde que me entendo por gente, vou fazer 62 anos,
é essa safadeza e muita cara de pau.
Uma pena que nosso povo não perceba tamanha
desfaçatez.
Vou morrer de velho aguentando esses corruptos
tomando conta da gente.
Abraços
Walter Pereira
Pois é, Gabeira. A certeza da impunidade é tanta, que esses safados passam os seus mandatos se defendendo de toda sorte de denúncia, mas nada acontece. Ninguém é preso, ninguém devolve o que roubou e por aí vai.
As verbas vêm e somem e fica tudo por isso mesmo, porque o brasileiro tem memória de ameba. Na próxima eleição, estarão lá os mesmos bandidos, disputando o seu direito de roubar tudo novamente.
Pior que a certeza da impunidade é o apego ao cargo: Cabral é Governador do Rio de Janeiro já por 2 mandatos e é claro o desleixo, a falta de preocupação e de trabalho pelo estado. Na verdade ele não liga o fato de ser Governador com as obrigações que isso traz.
Só faz negociatas, maracutaias para beneficiar a si mesmo e aos amigos laranjas, empresários, bandidos.
Poucos são os politicos que se candidatam a um cargo com o propósito de trabalhar bem e fazer jus aos votos que recebeu.
Infelizmente não temos muitos “Gabeiras” em nosso pais.
43 abraços,
Gilda – RJ
Dale com culpar o Estado. o Estado deixa acontecer mas todo mundo que eu conheço, faveladou ou rocaço quer ter a melhor vista do mar. Ah! que bom seria ter uma casa lá encima!!. Eu me sentiria por cima da carne seca. É o mesmo critério de quem compra uma VAN de 300HP com tração em 5 rodas e 3 metros de altura para rodar pelo Leblon.
É a mesma coisa queapoiar a limpeza dos morros de traficantes e continuar fumando seu baseado e se injetando tudo quanto é droga. O problema são os outros!! E o mais fácil é criticar o governo que não faz nada e nunca fará. O anterior explica tudo. Temos o que merecemos.