O primeiro-ministro britânico, David Cameron, afirmou que o governo pretende controlar as redes sociais para evitar que as pessoas se organizem para saques.
No discurso, ele afirmou que a liberdade de informação era muito importante mas que pode ser usada para o bem ou para o mal.
Todos de acordo. No entanto, essa característica da liberdade de expressão é tão velha quanto ela mesma. E no entanto, sempre que esteve ameaçada, foi preciso dizer que, apesar de todos os males que pode trazer, ela deve continuar existindo.
A pressão sobre redes sociais é grande nos paises autoritários. No Irã, Síria, e mesmo no Egito, antes da queda Mubarak, houve inúmeras tentativas de controlá-la.
Em alguns países do leste europeu, pessoas são interrogadas sobre ideias expressas no Facebook, indicando que a polícia política está atenta.
Segundo a imprensa, no caso ingles, não houve grande papel das redes sociais. O que houve foi o uso do SMS do Blackberry.
O discurso de Cameron foi vago. Mas ele vai encontrar dificuldades em controlar redes sociais, porque o princípio da liberdade de expressão é muito forte na Europa.
Não quero ser pretensioso, mas quando cobri saques no Rio, logo após as revoltas na Califórnia, percebi que era possível prever sua eclosão com uma pequena margem de erro.
Ao invés de controlar redes sociais, Cameron deveria investir na polícia e não fazer cortes no seu orçamento. E sobretudo preparar o serviço de inteligência britânica para essa dimensão interna de segurança.
Uma investida contra a liberdade de expressão na Europa teria efeitos catastróficos em outras parte do mundo, onde, no momento ela tem um papel essencial, salvando vidas, inclusive.



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