Embora a Conferência de Durban tenha sido saudada com euforia pelas autoridades brasileiras, tenho dúvidas sobre as comemorações.
O Brasil se saiu bem, mas daí a considerar o resultado histórico vai uma diferença.
Menos de 48 horas depois do encerramento em Durban, o Canadá anunciou, ontem, que deixará o Protocolo de Kioto. Deve ser seguido da Rússia e do Japão.
O que se obteve no sábado em Durban não foi pouco. Pelo menos, foi afastado, no plano verbal, aquele jogo de empurra, baseado no “só reduzo emissões se todos reduzirem”.
Tanto a Europa como os Estados Unidos esperavam que países como a China, índia e Brasil se compromotessem com metas de redução. O Brasil aceita, mas a Índia acabou jogando o compromisso para 2015. Assim mesmo, um novo acordo iria vigorar a partir de 2020.
Estados Unidos e China também aceitam as reducões no futuro, mas no caso americano é sempre bom esperar a decisão do Congresso.
Se o Canadá, Rússia e Japão saem do acordo de Kioto ele se enfraquece muito. Os Estados Unidos não o ratificaram.
Na verdade, ele só entrou em vigor porque a Rússia decidiu assiná-lo, compondo o mínimo de países necessários para o funcionamento do texto.
Isso não impede que novas conquistas podem ser feitas. O New York Times de hoje chama a atenção para as possibilidades de esforço coletivo no campo da energia, tanto para iluminar lugares ainda nas trevas, como para encontrar formas de eficácia energética.
Com a saída do Canadá e a relutância dos europeus em reduzirem emissões, praticamente sozinhos, Kioto foi prolongado mas sobrevive como um fósforo frio.
Daí a proposta de deixar a discussão única sobre redução de CO2 e realizar na prática avanços na produção de energia limpa. E ao invés de buscar acordos globais, tentar algumas iniciativas multilaterais.
Como a Rio+20 trata de economia verde, pode ser o grande instrumento para recolocar a discussão no eixo da sustentabilidade.
Tenho defendido isto: enquanto não se realiza um ambicioso acordo global, é possível avançar nas conquistas concretas e no debate entre alguns países.



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