Semana com dois dias na estrada e muita confusão no Ministério dos Transportes. Vejo caírem um a um os diretores do DNIT. Mas vejo também alguns graves acidentes nas estradas, como de ontem, ao subir para Friburgo.
O ideal seria investigar a corrupção e dar um balanço das principais estradas do Brasil. Tudo indica que a crise será empurrada com a barriga pois sua raiz é uma política de alianças que acaba propiciando os desvios de verba. Nessa política, o governo não quer mexer.
A semana foi marcada por um coquetel oferecido pela Presidente Dilma aos aliados. No dia anterior, deputados do PMDB e PT festejaram, ao lado de Ideli Salvati, diante de um bolo de noiva.
O bolo tinha os logos do PMDB e do PT. No alto, os bonecos dos noivos, Dilma, de vermelho, Temer de terno azul.
Não sei porque estou descrevendo isso. Acho que enlouqueceram no sentido de não reconhecerem mais limites do ridículo.
O próprio Lula, esta semana, atacou os grandes jornais brasileiros com argumentos equivocados. Ele considera que os jornais estão perdendo influência ou porque não informam bem ou porque estão superados por outras fontes de notícia, com a chegada da internet.
E afirma: O Globo não chega na baixada fluminense. Como se isso fosse uma decisão política dos moradores da Baixada.
Se houvesse alguma recusa, como explicar a força da tevê Globo na mesma região? O correto teria sido uma ascensão da tevê oficial.
Não pretendo discutir muito o tema mas minha tese é oposta: com a edição de portais na internet os grandes jornais ampliaram sua área de influência. Eles chegam mais na periferia do que chegavam antes, apenas na forma papel.
Lula força a barra porque gosta de debater com a imprensa. Num mesmo discurso reclamou que ela estava pegando no seu pé e afirmou que estava doido para voltar ao microfone.
Essa dinâmica parece lhe interessar politicamente. Um combate entre o que chama de imprensa elitista e os interesses dos pobres, estes por ele representados.
Na áreas pobres não há baixo consumo de jornais por simples rejeição política. Aprendemos na escola que países como o Japão, Inglaterra e Suécia, têm um alto consumo de jornal per capita, por razões econômicas, culturais e tempo de lazer.
Vejo a internet como o caminho da pluralidade nas informações. Mas é preciso reconhecer que notícias decisivas para a sociedade são obtidas a partir de estruturas com investimento pesado. Uma boa parte do dinheiro é usada para checar as informações, algo que nem sempre acontece nos blogs.
Ao dizer que o Globo, um jornal simpático ao governo que apóia no Rio, não chega à baixada e misturar isto com a internet é um equivoco completo. Nunca os grandes jornais chegaram tanto nas regiões metropolitanas, quanto agora. A expansão vai além do papel, como diz o próprio slogan do jornal que ele criticou.
Lula confunde sua popularidade com o tipo de imprensa que ele gosta. As pesquisas sobre as duas, mostram um alto índice para o ex-presidente e números miseráveis para a televisão que criou.
Não tenho procuração para defender os grandes jornais. Trabalho neles desde menino. Reconheço que a internet pode ter roubado algum espaço às edições impressas. Mas só perde o espaço que se tem. Muitos assinantes preferem o jornal virtual, transitam do papel para o computador, o Ipad ou mesmo o telefone celular.
Milhares de novos leitores chegam via internet. O aumento de influência ainda não se materializou em aumento de lucros pelas próprias características da internet. Mais cedo ou mais tarde o encontro vai se dar.
É mais realista pensar assim do que avaliar os jornais confinados apenas à sua forma impressa. Supor que milhares de produtores isolados vão substituir as estruturas de produção de notícias é um equívoco. Eles vão interagir como elas, como fazem blogueiros e redes sociais.
Lula não acabaria a semana com um beijo na boca por um simples impulso sentimental. É a história do microfone e do pegar no pé. O beijo foi apenas foi uma forma de usar o microfone. E esperar que peguem de novo no seu pé.



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