Impossível abandonar o tema da vacinação. Se estivesse tudo claro, falaria de outro assunto. Mas cada vez mais a história se torna confusa.
O STF deu 48 horas para o Ministério da Saúde determinar as datas de começo e fim do processo da vacinação nacional. O Ministério da Saúde, através do secretário, afirmou que era irresponsável marcar data.
As desvantagens da posição do Ministério são nítidas para quem espera uma vacina. O primeiro problema: a falta de uma data para começar. Quais serão as possibilidades de cobrar do governo. Se não há data para começar não há atraso, tudo estaria dentro do prazo.
Quando não há data para terminar, é possivel mascarar outro número: o de habitantes que serão vacinados.
É possivel inflacionar o número e afirmar que 200 milhões de pessoas serão vacinadas. Como não há data para terminar, eles só poderão ser cobrados na outra encarnação.
Podem responder com um argumento atribuído ao pai do escritor Fernando Sabino: tudo vai dar certo no final, se não deu ainda é porque o fim não chegou.
O Brasil apostou praticamente todas as sas fichas na vacina da Oxford-Astrazênica. Ela está nitidamente atrasada na fase final. Não reuniu o número necessário de idosos para o experimento e não se sabe ao certo qual é sua eficácia.
O fato de a Astrozeneca ter anunciado uma possível fusão com a vacina Sputinik V é intrigante. Afinal, se a vacina é eficaz e segura o bastante por que fundir com uma outra vacina?
Se isso acontecer, os testes levarão tempo e o resultado dificilmente sairá antes do fim do ano. Suponhamos que a eficácia da vacina da Astrozeneca seja de 60 por cento. Suponhamos que a eficácia das vacinas combinadas, Astra e Spunitik, seja de 90 por cento.
Isto será tarde demais para nós. Já teríamos consumido até o meio do ano uma grande parte da vacina menos eficaz.
Resta a Coronavac cujos resultados serão anunciados no dia 23, com uma semana de atraso. O governo federal não a menciona no Plano Nacional de Vacinação. Se for eficaz, na verdade será a única que teremos nos próximos dois meses.
Mas a Coronavac está no centro da disputa política entre Bolsonaro e João Dória. Amanhã falarei um pouco de uma disputa política em torno do exame de sangue que deteta AIDS. Isso se passou em 1985 na França. Os responsáveis pela interferência politica num tema tão grave foram condenados a quatro e dois anos de prisão fechada. Hoje termino a pesquisa.

