Desde minha viagem à Brasileia para falar dos haitianos que chegavam ao Acre, o tema cresceu muito. Sabia que estavam entrando também por Tabatinga.
Embora tenha os entrevistado mais longamente em Brasileia, eu os vi também nas ruas de Rio Branco e Manaus.
A decisão do governo de mudar a política, permitindo a entrada através da concessão de visto em nossa embaixada em Porto Príncipe visa a combater o trabalho dos coyotes que lucram com a entrada dos imigrantes clandestinos.
Não sei ainda qual a será a eficácia porque os Estados Unidos jamais conseguiram um êxito completo na tentativa de controlar a imigração mexicana.
De qualquer forma, é uma tentativa. O interessante é que os através do haitianos, entrou na agenda o tema da imigração no Brasil.
Com o crescimento econômico e o declínio de algumas regiões como a Europa, cresceu o número de candidatos estrangeiros a trabalhar no Brasil.
O pais vai facilitar a entrada dos mais qualificados. Mas a verdade é que os haitianos estão solicitados em Rondônia, onde se constroem as usinas de Jirão e Santo Antônio.
A paraóquia que deu a assistência eles, em Brasileia, recebeu vários ofertas de empregos, inclusive de empresários do interior de São Paulo.
Como previ, na matéria feita em Brasileia, a diáspora haitiana estaria presente no Brasil, assim como nos EUA e no Canadá.
A ideia de que estão vindo para cá porque somos a sexta economia talvez não seja tão precisa. A maior concentração de imigrantes haitianos está na República Dominicana, porque é vizinha e a travessia é mais barata. Para lá foram os mais pobres. Os conseguem acumular US$3 mil para chegar ao Brasil, de um modo geral, têm mais recursos.
Na verdade, o dinheiro é arrecadado pela família do imigrante que trabalhando aqui consegue mandar alguma de volta e preparar a vinda dos mais próximos.
Era inevitável o entrelaçamento das trajetórias e Brasil e Haiti. Primeiro, foi a opção de ocupar e, simultaneamente, fazer uma política amistosa com a população.
O Brasil, usando o estilo softpower mandou a seleção brasileira de futebol disputar uma partida em Porto Príncipe. A organização foi muito complicada, dada às circunstâncias.
O que de mais interessante o Brasil está no Haiti é destinar US$2 milhões para projetos agrícolas, alem de formar agricultores haitianos e mandar milhares de sementes para o pais.
Uma das saídas de um Haiti arrasado pelo terremoto é dispersar a população pelo interior e ajudá-la a plantar. A experiência está em curso e pode ser bem sucedida. Foi objeto de uma reportagem positiva no New York Times.
É o que há de novo e promissor por lá e o Brasil está na vanguarda. O trabalho brasileiro está articulado com a FAO que pretende arrecadar US$500 milhões para investir no campo haitiano. O diretor da FAO, no momento é um brasileiro, José Graziano.
Talvez o melhor passo brasileiro, no momento, seja saber exatamente como é feita a viagem, de Porto Príncipe a Brasileia ou Tabatinga.
Segundo os haitianos me disseram, os policiais no Peru os abordaram várias vezes, por dinheiro.
Taxistas peruanos e bolivianos é que fazem a passagem. Um caminho par o Brasil seria reconstituir a rota e estabelecer uma cooperação com Peru e Bolívia.
Tanto o Peru como a Bolívia estão em condições de colaborar. O Peru, por exemplo, com Ollanta Humala na presidência e crescendo mais que o próprio Brasil poderia também receber trabalhadores haitianos.
Creio que isto não nega a proposta do governo, mas apenas o faz trabalhar também com outras variáveis.



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