Até o momento em que escrevo este post, o documento de 26 páginas sobre o acordo do Grupo dos 20 ainda não foi disponibilizado.
Entretanto, todas as informações sobre o encontro e suas decisões são públicas. A Franca, que preside, momentaneamente, o Grupo dos 20 propôs um controle maior do mercado, mas a proposta foi descartada.
Alguns governos acham que a especulação tem um peso, mas consideram que a a grande variável é a relação entre oferta e demanda.
Em matéria de demanda, o planeta é bastante pródigo: 83 milhões de novas bocas a cada ano. Somos 7 bilhões e seremos, em 2045, 9 bilhões.
Uma proposta da Oxfam para restringir a produção de combustíveis a partir dos alimentos não foi discutida. Não interessa ao Brasil e Estados Unidos que produzem etanol da cana de açúcar e do milho, respectivamente.
Uma decisão importante, no entanto, foi a que prevê a criação de um sistema mundial de informação sobre alimentos, Sima. Isso vai aumentar a eficácia e capacidade de previsão dos países.
O Brasil se dispõe a aumentar a sua produtividade e cooperar com o esforço mundial de alimentar o planeta e, certamente, terá de investir mais.
Na semana que vem, a Comissão de Relações Exteriores deveria convidar o Ministro Wagner Rossi, da Agricultura, para explicar o acordo. Poderia ser uma sessão conjunta com as comissões de Agricultura e Meio Ambiente.
Em quase todos os dramas mundiais hoje a questão dos alimentos está presente. Na Primavera Árabe desempenhou um grande papel.
O que aconteceu lá acontece também em muitos países africanos e também, parcialmente, na Venezuela: os governos subsidiam alimentos mas ,com a alta de preços, não podem bancar a conta.
O fato de o Grupo dos 20 ter abordado o problema e iniciado um processo articulado em escala mundial é promissor.
Os países europeus também subsidiam só que o fazem diretamente ao produtor. É uma grande questão do comércio internacional.
O Brasil está interessado na queda desses subsídios. E, possivelmente, nessa queda esteja uma das respostas para o aumento de produtividade.
Há alguns analistas que consideram a queda dos subsídios nos países ricos mais importante do que ajuda humanitária aos africanos.

Brasil é importante ator nesse drama mundial dos alimentos.(foto FG)
Uma abertura de mercados europeus e norte-americanos dentro do princípio de competição, que eles advogam como o melhor, poderia ser a saída. Os subsídios bloqueiam mercados que poderiam estimular a produtividade dos exportadores de alimentos.
Esse tema não interessa à França uma vez que sua posição é firme na defesa de seus subsídios.
Ao longo da semana, voltarei ao tema


Leave a reply