Em fevereiro, fui à Venezuela e escrevi que o país viveria um ano complicado. Pensava na crise econômica, na violência, e, sobretudo, no calendário eleitoral. Mas Chavez ficou doente e acrescentou uma nova variável ao intrincado processo.
Hoje, ele voltou de Cuba mas ainda são muitos os cenários abertos com a doença, sobretudo porque ninguém sabe qual a gravidade do câncer que o atingiu.
Numa hipótese mais branda, Chavez poderia voltar não somente à presidência, mas à campanha eleitoral que ele mesmo deflagrou. Nesse caso, continua com muita força. A doença poderia tirar alguma energia mas, em termos de votos, pode recompensá-la com a compaixão pela sua luta.
Se a doença for grave a ponto de alijá-lo da campanha, o PSVU ( Partido Socialista Venezuelano Unificado) deverá lançar um candidato para substitui-lo. Como Chavez tem um peso maior que o próprio partido, fala-se que o escolhido seria seu irmão mais velho, Adan, governador de Barinas.
A oposição vive alguns dilemas. Sem Chavez para polarizá-la, ela pode se dividir e enfraquecer. Nesse caso, a vitória continuaria com o esquema bolivariano.
Mas se a oposição triunfar sobre Adan e outros líderes do PVSA, aí o cenário pode se complicar. Tanto ele como outros dirigentes ligados a Chavez consideram a luta armada uma alternativa.
Adan fez uma declaração admitindo a luta armada. No princípio do ano, o presidente da Assembleia, Fernando Soto Rojas também fez uma referência a esta possibilidade.
Está tudo indefinido. A crise Venezuela ganhou outra dimensão no fim do primeiro semestre. A partir de agora, todos os olhos se voltam também para Caracas.
As consequência para o Brasil serão importantes no campo da economia mas também da segurança. Dizem que a presidente Dilma já pediu dados sobre o irmão de Chavez, Adan. O irmão mais velho pode vir a ser o primeiro homem da Venezuela.



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