Morreu ontem aos 102 anos Aracy de Carvalho Guimarães Rosa, paranaense, viúva do autor de Grandes Sertões Veredas. Embora não a tenha conhecido pessoalmente, gostaria de fazer este registro no blog. Foi uma grande brasileira e uma grande pessoa. Durante a II Guerra Mundial, trabalhando no consulado de Hamburgo, conseguiu visto de refugiados para muitos judeus. Era um momento difícil porque a política de Vargas proibia estes vistos através de uma Carta Secreta que definia a posição brasileira para os funcionários diplomáticos.
Única mulher mencionada no Museu do Holocausto, em Israel e nos Estados Unidos, é importante ressaltar sua existência e exaltá-la na história do Brasil na II Guerra Mundial.
Quando menino, ouvi muitos relatos de destruição de pastelarias e lavanderias de chineses, confundidos com japoneses, assisti a muitos desfiles da Força Expedicionária exibindo o a imagem símbolo da presença brasileira: uma cobra fumando. Nunca se mencionava a generosidade de uma diplomata que realmente representou os interesses estratégicos do Brasil, afastando-se da política de Vargas.
Aracy Gimarães Rosa já recebeu do marido uma das homenagens que merecia. É dedicado a ela um dos livros fundamentais da moderna literatura brasileira: Grande Sertão Veredas



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