Petrópolis – Começo minha reportagem num dia de sol. Meu primeiro contato foi o prefeito Paulo Mustrangi, com quem conversei sobre os planos de reconstrução. Na verdade ainda não existem, porque a maior tensão no momento está voltada para desobstruir estradas, limpar casas, recolher entulhos.
O noticiário fala de R$480 milhões que o BNDES vai injetar na economia serrana. Até o momento, o governo liberou R$7 milhões para Petrópolis, R$7 milhões para Teresópolis e para Friburgo R$10 milhões. Tudo voltada para a emergência.
Ouvi ainda histórias da noite das chuvas. Uma delas relata o desespero dos donos de haras no Vale do Cuiabá. Muitos perderam cavalos avaliados em R$500 mil. Alguns animais estavam no seguro. E os proprietários ofereciam até R$15 mil pelo corpo do cavalo, pois sem ele não receberiam o seguro.
Visitei o hospital de campanha da Aeronáutica, em Itaipava, e segui direto para o Vale do Cuiabá. Quando sai do vale domingo, estava chovendo muito e as pessoas tinham dificuldades em limpar suas casas. Agora o problema é o pó. Quase todos estão usando máscaras.
Em alguns lugares na estrada senti o cheiro de animais mortos e do barro apodrecido. Visitei uma oficina que os garis de Petrópolis estavam limpando. Todos com máscaras, sob os escombros havia comida.
Cabral falou pelo rádio em ajuda aos 17 mil agricultores. Isto é essencial. Mas os pequenos empresários atingidos na área urbana vão precisar de novos lugares para tocar seu negócio.
No Vale do Cuiabá encontrei muita gente trabalhando ativamente para transportar seus objetos ou mesmo recuperando sua casa. Na visita de domingo, falamos sobre o problema do aluguel social. O governo destinou CR30 milhões para aluguel social: R$500 mensais por família.
Acontece que não há casas de aluguel no Vale. A saída é construir novas no próprio lugar, porque muitos trabalham aqui e não querem sair.
O prefeito de Petrópolis informou que um grupo de empresários liderados pelo Presidente da Federação das Indústrias, Eduardo Eugênio Gouveia Vieira, está buscando este terreno e talvez possa fazer uma doação: boa saída.
Como Blumenau, a Serra terá de se reinventar. Os prefeitos das três maiores cidades fizeram um consórcio com o objetivo de ganhar mais eficácia. Mas para fazer o que, alem de recuperar uma certa normalidade? O fato de Petrópolis ter recebido uma estação meteorológica, com pontos avançados no Vale do Cuiabá, e não ter feito funcionar o equipamento, é preocupante. Houve um jogo de empurra entre estado e prefeitura porque a estação demandava R$900.000,00 anuais, para sua manutenção. Espero que, no momento em que se conta o prejuízo, os governantes reconheçam a importância dos gastos com prevenção.
PS: Estadão publica amanhã minha reportagem na Venezuela. Os que leram os posts de Caracas vão poder ter números e uma visão mais extensa do tema.





3 Comments
Gabeira visita a região serrana mais que o Cabral.Avalia, conversa, dá ânimo nas pessoas, enquanto o governador esconde debaixo da saia de Dilma depois de umas beritas com o Lula.
É preciso acabar com o mal da reeleição.
[…] This post was mentioned on Twitter by Marco Korbela ॐ ♏ , Demeter Dannan, Aspásia Camargo, Diário da PresidentA, Fernando Gabeira and others. Fernando Gabeira said: Blog do Gabeira: Caminhos da reconstrução http://bit.ly/gtmjv7 […]
Excelente a cobertura! É tão triste! Isso é a tal falada união das 3 esferas? Falta respeito, visão e competência para lidar com o dinheiro do povo.