Em muitos momentos, lutamos por CPIs no Congresso. Com a experiência acumulada de CPIs realizadas, é necessário não nutrir grandes ilusões sobre a que está sendo discutida agora: a dos cartões corporativos.
O tema está sendo investigado pelo TCU. O ministro encarregado de desvendá-lo, Ubiratan Aguiar, um ex-deputado cearense, já manifestou a limitação de seus esforços, sugerindo que outros órgãos de controle teriam de entrar em cena para se saber o que está havendo.
O tema de hoje, se a CPI vai ser mista ou apenas do Senado, não é tão significativo. O governo, teoricamente, tem um controle maior da Câmara do que do Senado. Não haverá, portanto, grande diferença de qualidade, no que diz respeito à vontade de apurar.
Pelo que observo em notas na imprensa paulista, o governo do estado de São Paulo também será acusado de despesas supérfluas. Haverá, certamente, um fogo cruzado entre oposição e governo, esse tipo de combate que fortalece a impressão popular de que são todos iguais. Logo, as eleições não se decidem a partir de propostas éticas mas de quem oferece mais vantagens.
Se, no frigir dos ovos, não houver uma apuração perfeita do que se passou, a existência de regras rígidas, que possam ser monitoradas por todos, inclusive na internet, marcará um avanço na transparência e mais um pequeno passo rumo a uma democracia desenvolvida.
Observei nas pessoas, nessas caminhadas de fim de semana, uma tendência a fazer piadas com o tema, como se esperassem pouco sobre investigações. ‘Por que não distribuem cartões corporativos?’, brincavam alguns. Esse relativo pessimismo não esconde a esperança de que o processo de gastos irregulares chegue ao fim. E, se o saldo for apenas este, a democracia já terá avançado alguma coisa.
No principio do ano, fomos colhidos por uma nova pauta. Outros grandes problemas continuam aí. A transparência representará um avanço. Mas, no auge da crise dos cartões, o governo anuncia que vai anistiar os desmatadores na Amazônia e reduzir a área protegida por lei. Será muito trabalho, muita briga, para justificar nossos mandatos.
A Ministra Marina Silva acaba de telefonar para o deputado Fernando Gabeira informando que o projeto não é como o jornais estão noticiando e que ainda hoje, Segunda-feira, realizará entrevista coletiva para detalhar o que, exatamente, pretende com o projeto.
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