26.01.2010

A notícia de que o Estado do Rio é o que apresenta o maior índice de trabalho escravo no país deve ter surpreendido. Somos a segunda economia, terceiro colégio eleitoral, a cidade do Rio é uma espécie de vanguarda estética e política.
Mas, no fundo, não se trata de uma grande surpresa. Historicamente, a lentidão em nos livrarmos do trabalho escravo foi um fator fundamental para que São Paulo assumisse a liderança econômica do país. É um processo que aconteceu no fim do século XIX com a decisão dos governos paulistas de estimular a vinda de colonos estrangeiros. O café plantado aqui dependia do trabalho escravo e foi, progressivamente, ocupando as terras disponíveis. São Paulo se abriu para o trabalho assalariado, dando aos colonos alguns pedaços de terra para que desenvolvessem também sua agricultura.
A maior parte do trabalho escravo no Rio foi encontrada nos canaviais. De novo, a comparação entre a escolha dos dois estados mostra a tendência à mecanização e forte capitalização de um lado, de outro um sabor de decadência.
O Rio perdeu substância não apenas porque houve a retirada da capital. Tanto neste momento, como no fim da escravatura, não foram assumidas as opções inteligentes pela sua vanguarda. Demoramos a compreender a importância do trabalho assalariado e da importação de colonos; depois da mudança da capital, não houve um plano para recompensar a cidade e toda a região que estava ligada a ela. Senhor e escravo estão ligados na mesma teia histórica. Um filósofo alemão dizia que os senhores, por não terem de se dedicar ao trabalho braçal, estavam disponíveis para pensar o mundo e compreendê-lo mais amplamente. Não foi o caso por aqui.








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