Royalties de campanha

Uma das tarefas mais importantes em torno dos royalties do petróleo é impedir que o Rio seja prejudicado. Existem várias formas de luta que podem se complementar ou se antepor, dependendo das perspectiva. Por exemplo: não ajuda o processo de negociação no Congresso declaração ofensiva contra os deputados que querem dividir os royalties por todo o Brasil. Isto cristaliza sua posição e passam a entender o voto como uma espécie de resposta. Exemplo: declarações de Cabral.

Da mesma maneira, manifestações que fecham rodovias federais ou estaduais não são eficazes.

Tenho grande experiência de demonstrações , desde estudante, e concluí que impedir o curso da vida cotidiana acaba enfraquecendo a simpatia em torno da nossa causa.

Dito isso, estou disposto a cerrar fileiras com todos os cariocas e fluminenses, inclusive candidatos ao governo do Estado, para obter um bom resultado para o Rio. Isto é o mais importante.

Fiz três discursos na Câmara, debati com Ibsen Pinheiro pela CBN, e vou tentar ajudar os senadores com argumentos e sugestões sobre como articular a resistência. Digo tentar porque não sei ainda se os senadores querem fazer uma frente com os deputados. Se quiserem, será ótimo.

No momento eleitoral, há uma grande disputa para definir quem luta mais pelo Rio. Na verdade, a competição deveria ceder lugar à cooperação. Da minha parte, participando da Comissão do Pré Sal, contribuí para que fossem incluídos 3 por cento de royalties para o meio ambiente. Isto vai beneficiar o Rio. Não vou ficar discutindo quem luta mais pelo Rio. Vou apenas colaborar. Minha visão sobre o petróleo é um pouco mais ampla. Vejam o projeto que apresentei para uma comissão de defesa dos oceanos (PRC – 220/2010 Criação Mista Permanente Sobre os Oceanos). Isto é vital para todos nós. É uma parte da luta pelo estado, assim como é uma parte a luta para que não nos levem os royalties.

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O Rio e as chuvas

Se os cariocas pararem para pensar na chuva de sábado vão ficar preocupados. Vulnerabilidade urbana é a palavra para definir o que aconteceu. O Túnel Rebouças com inúmeras familias aprisionadas, o rio Maracanã transbordou, a Praça da Bandeira submergiu. Foram inúmeros carros perdidos, seis vidas levadas pelo desabamento, ônibus parados despejando passageiros na torrente de água suja e possivelmente contaminada.

Não choveu uma fração do que tem chovido em São Paulo. Mas ficou evidente que a cidade não está preparada para as chuvas nem está se preparando adequadamente.  As obras que atenuam o impacto das águas, limpeza de bueiros por exemplo, são invisíveis e praticamente nulas em termos eleitorais ou de imagem.

No mês passado, uma pesquisa da própria Prefeitura indicava que 98 por cento das ruas do Rio têm problemas, ou estão simplesmente esburacadas. Isto um ano depois da posse de Eduardo Paes. Creio que reside nesses pequenos detalhes a diferença na política. Quando apenas imagem e carreira estão em jogo, a tendência é se concentrar nelas, deixando de lado questões estratégicas como a preparação para mudanças climáticas, ou mesmo na ausência delas, temporais que acontecem sob qualquer temperatura.

A cidade deveria apresentar um plano  para suas áreas de risco, encaminhar urgentemente o trabalho de preparação. As Olimpíadas estão longe, a Copa do Mundo nem tanto. Mas os olhares do mundo já nos focalizam e o que vêem não é nada animador.

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Um desastre ambiental

Manhã de domingo na Lagoa. Já se contavam quase 70 toneladas de peixe morto. Uma pena. O pior é que não consegui, depois de falar com muita gente, saber exatamente a causa desse desastre ambiental. Velhos pescadores dizem que faltou oxigênio por falta de renovação das águas. Alguns técnicos falam na proliferação de algas. Acho difícil esta hipótese. As algas não matariam de uma só vez. A súbita falta de oxigênio sim.

Creio que as fotos falam por si. Não explicam a causa mas dão a dimensão da tragédia. Numa delas, o estádio de remo está no fundo, lembrando das Olimpíadas.

Será preciso rever essa história da recuperação da Lagoa. Não pode se limitar à limpeza. É preciso contratar biólogos que a monitorem com freqüência, é preciso administrar a troca das águas. Preservar a Lagoa é algo mais sério que puro marketing.

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Choque e xixi

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O chamado choque de ordem no Rio é algo que deveria ser um pouco mais discutido. Não e possível alterar a ordem urbana sem pedagogia e infraestrutura, contando apenas com a a repressão. A cidade parece ter entendido isto no carnaval ao colocar os banheiros químicos à disposição dos foliões. Mas os colocou em número tão pequeno e em condições tão precárias que o xixi acabou sendo um personagem do carnaval, com mais de 300 prisões e inúmeros artigos de jornal.

Construções como os Arcos da Lapa parecem ameaçadas pelo ácido da urina e, como se não bastasse, pelo ácido dos detergentes aplicados para neutralizar o xixi.  A hora, antevéspera da Copa do Mundo e Olimpíadas, é de tentar resolver este problema de uma forma durável e adulta, sem esse espetáculo de guardas correndo atrás de mijões e banheiros químicos que horrorizam os transeuntes com seu cheiro.

É preciso uma política que passe pelo desenho de banheiros públicos que possam ser construídos e patrocinados por empresas, por um estímulo aos bares e restaurantes, sobretudo os primeiros, para a construção de banheiros adequados. Interessa a algumas empresas patrocinar banheiros limpos, assim como uma ligeira dedução do IPTU para efeito de remodelação dos banheiros em bares, restaurantes e lojas.

Só  um processo planejado de médio prazo poderá superar, duplamente, a desordem urbana e a limitação mental dos que a combatem . Não  é bom para o Rio que as pessoas façam xixi na rua; mas é  ruim também para nossa imagem nacional e internacional que a prática seja combatida de uma forma tão desastrada. Por que não apresentar um projeto mais amplo? Por que limitar-se ao espasmo do carnaval, tornando o desejo de limpeza numa galhofa?

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Os operários no Alemão

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A morte dos operários no Complexo do Alemão é um sintoma de que há algo errado com o projeto do governo.

Não me refiro a prazos de execução, orçamentos, porque isso pode ser discutido em outro contexto, como o faz Ricardo Noblat analisando o fracasso do PAC em seu blog.

O principal problema é o tipo de arranjo político realizado para que as obras saíssem. Os traficantes continuaram com poder na área. Não só continuaram como sentiram-se protegidos pela existência das obras, um acordo de cavalheiros – um lado não mexe com o outro.

Há pouco menos de um ano, o jornal O Dia divulgou um vídeo de uma festa de aniversário no Complexo do Alemão. Havia uma grande exibição de armas pelos participantes. Na verdade, é difícil encontrar uma concentração de armas pesadas tão impressionante fora dos quartéis. Os traficantes estavam mostrando que estão tranquilos, aproveitaram a trégua para comprar novas armas e ampliar seu domínio sobre a área.

Após a morte dos operários, o Governador Sérgio Cabral concluiu que não bastam obras, é preciso colocar as forças de pacificação. Quanto tempo levou para chegar a esta conclusão? Por que realizar obras na Zona Norte e concentrar o esforço de pacificação em alguns morros da Zona Sul? Os cálculos são sempre políticos, nunca levam em conta um projeto amplo de combate à violência. As obras no Alemão deveriam ter sido precedidas do processo de pacificação.

A escolha do governo acabou levando-o a concluir diante dos corpos dos operários que seus críticos tinham razão.

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Rio escravo

escravos

A notícia de que o Estado do Rio é o que apresenta o maior índice de trabalho escravo no país deve ter surpreendido. Somos a segunda economia, terceiro colégio eleitoral, a cidade do Rio é uma espécie de vanguarda estética e política.

Mas, no fundo, não se trata de uma grande surpresa. Historicamente, a lentidão em nos livrarmos do trabalho escravo foi um fator fundamental para que São Paulo assumisse a liderança econômica do país. É um processo que aconteceu no fim do século XIX com a decisão dos governos paulistas de estimular a vinda de colonos estrangeiros. O café plantado aqui dependia do trabalho escravo e foi, progressivamente, ocupando as terras disponíveis. São Paulo se abriu para o trabalho assalariado, dando aos colonos alguns pedaços de terra para que desenvolvessem também sua agricultura.

A maior parte do trabalho escravo no Rio foi encontrada nos canaviais. De novo, a comparação entre a escolha dos dois estados mostra a tendência à mecanização e forte capitalização de um lado, de outro um sabor de decadência.

O Rio perdeu substância não apenas porque houve a retirada da capital. Tanto neste momento, como no fim da escravatura, não foram assumidas as opções inteligentes pela sua vanguarda. Demoramos a compreender a importância do trabalho assalariado e da importação de colonos; depois da mudança da capital, não houve um plano para recompensar a cidade e toda a região que estava ligada a ela. Senhor e escravo estão ligados na mesma teia histórica. Um filósofo alemão dizia que os senhores, por não terem de se dedicar ao trabalho braçal, estavam disponíveis para pensar o mundo e compreendê-lo mais amplamente. Não foi o caso por aqui.

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Cartas de Paris V: Pra lá de Teerã

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Escrevo de madrugada em Paris. Ao longo do dia, vou atualizando pelo telefone. Os japoneses estão escrevendo romances para celular. Quem sabe, no futuro, posso me candidatar? Estou preocupado com as declarações de Lula sobre o Irã. Mais uma vez, ele demonstrou uma paciência com o regime iraniano negado pela própria comunidade internacional, China e Rússia inclusive. Ao criticar os EUA e a Rússia dizendo que não tinham moral para pedir que o Irã não se arme, cometeu um erro diplomático. Mesmo considerando o desarmamento nuclear um objetivo nobre para a humanidade, não creio que um presidente deva se exprimir assim.

Outro dia, no Brasil, antes de partir, fiz uma longa exposição sobre a política externa brasileira. Falei da importância crescente do país no mundo e acentuei que estes erros acabam neutralizando os avanços que obtivemos em outras áreas, inclusive a economia.

Pequenos países como a Costa Rica, são muito mais prudentes. O próprio Oscar Arias, que foi presidente de lá, lamentou a posição de quem reconhece as eleições no Irã e se recusa a reconhecer as eleições em Honduras, onde o processo eleitoral em si não foi questionado.

Lula quer dar um balão de oxigênio a Ahmadinejad e diz que isto se deve aos interesses nacionais em jogo. Pois bem, os verdadeiros interesses nacionais do Brasil estão sendo prejudicados e, nesse caso, caminhamos mais para nos isolarmos com o presidente do Irã. Aliás, muitos socialistas franceses me questionaram perplexos sobre esta posição brasileira. Como explicá-la?

Apesar da passagem de Lula pela Alemanha, dois temas continuam ocupando o noticiário: os preparativos para Copenhague e o aumento de tropas no Afeganistão. Sobre Copenhague, recomendo, para quem lê em francês, o número especial da revista Nouvel Observateur, que convidou Daniel Cohen Bendit para editá-la. Quando tiver um tempo, faço uma síntese.

Fiquei feliz com a aprovação do projeto das Cagarras. Elas são apenas um pedaço da baía de Guanabara. Mas podemos começar por ali, refazendo a mata queimada, organizando viagens escolares etc. Pensei num navio a propulsão solar para fazer o roteiro turístico e a área é excelente para mergulho assistido por instrutores, como em Fernando de Noronha. Como disse, a baía de Guanabara poderia um dos grandes trunfos para 2014  e também para as Olimpíadas. Ela está ligada à história do Brasil e também tem ainda alguns vestígios da passagem francesa. Poderíamos começar pelas Cagarras e depois organizar roteiros turísticos pela baía, tentando equacionar o destino da Ilha de Paquetá. Ela foi o paraíso dos namorados. O namoro prosseguiu mas a ilha entrou em decadência. Há formas de recuperá-la e não deveríamos perder a oportunidade de tentar.

É  muito estimulante o livro de Umberto Eco e Jean Claude Carriére . Eles falam muito da internet e fazem um balanço de todos os suportes que surgiram no passado recente, do cassete ao DVD. Citam um grande colecionador brasileiro, José Mindlin, que tem uma edição de “Os Miseráveis”  lançada no Brasil no mesmo ano em que foi impressa a edição francesa. Os dois, Eco e Carriére, são muito lidos e, além disso, colecionam livros.

Na Village Voice comprei também o livro de memórias de Edward Kennedy, “A True Compass”. Li apenas as primeiras páginas, quando ele toma conhecimento do câncer no cérebro. O livro tem 506 páginas. É coisa para todo o verão.

O frio e a chuva fina aumentam as saudades do Brasil. Volto para a casa amanhã. Cada viagem curta é um grande estimulo para retomar o trabalho. O noticiário por aí não está muito animador por causa dessa história de Brasília, entre outras. Mas a aprovação do projeto das Cagarras, depois de tantos anos, é um alento, embora não entenda por que demoramos tanto com algo tão obviamente interessante para uma cidade com o calendário que o Rio tem pela frente.

Escrevo de madrugada em Paris. Ao longo do dia, vou atualizando pelo telefone. Os japoneses estão escrevendo romances para celular. Quem sabe, no futuro, posso me candidatar? Estou preocupado com as declarações de Lula sobre o Irã. Mais uma vez, ele demonstrou uma paciência com o regime iraniano negado pela própria comunidade internacional, China e Rússia inclusive. Ao criticar os EUA e a Rússia dizendo que não tinham moral para pedir que o Irã não se arme, cometeu um erro diplomático. Mesmo considerando o desarmamento nuclear um objetivo nobre para a humanidade, não creio que um presidente deva se exprimir assim.

Outro dia, no Brasil, antes de partir, fiz uma longa exposição sobre a política externa brasileira. Falei da importância crescente do país no mundo e acentuei que estes erros acabam neutralizando os avanços que obtivemos em outras áreas, inclusive a economia.

Pequenos países como a Costa Rica, são muito mais prudentes. O próprio Oscar Arias, que foi presidente de lá, lamentou a posição de quem reconhece as eleições no Irã e se recusa a reconhecer as eleições em Honduras, onde o processo eleitoral em si não foi questionado.

Lula quer dar um balão de oxigênio a Ahmadinejad e diz que isto se deve aos interesses nacionais em jogo. Pois bem, os verdadeiros interesses nacionais do Brasil estão sendo prejudicados e, nesse caso, caminhamos mais para nos isolarmos com o presidente do Irã. Aliás, muitos socialistas franceses me questionaram perplexos sobre esta posição brasileira. Como explicá-la?

Apesar da passagem de Lula pela Alemanha, dois temas continuam ocupando o noticiário: os preparativos para Copenhague e o aumento de tropas no Afeganistão. Sobre Copenhague, recomendo, para quem lê em francês, o número especial da revista Nouvel Observateur, que convidou Daniel Cohen Bendit para editá-la. Quando tiver um tempo, faço uma síntese.

Fiquei feliz com a aprovação do projeto das Cagarras. Elas são apenas um pedaço da baia de Guanabara. Mas podemos começar por ali, refazendo a mata queimada, organizando viagens escolares etc. Pensei num navio a propulsão solar para fazer o roteiro turístico e a área é excelente para mergulho assistido por instrutores, como em Fernando de Noronha. Como disse, a baia de Guanabara poderia um dos grandes trunfos para 2014  e também para as Olimpíadas. Ela está ligada à história do Brasil e também tem ainda alguns vestígios da passagem francesa. Poderíamos começar pelas Cagarras e depois organizar roteiros turísticos pela Baia, tentando equacionar o destino da Ilha de Paquetá. Ela foi o paraíso dos namorados. O namoro prosseguiu mas a ilha entrou em decadência. Há formas de recuperá-la e não deveríamos perder a oportunidade de tentar.

É  muito estimulante o livro de Umberto Eco e Jean Claude Carriére . Eles falam muito da internet e fazem um balanço de todos os suportes que surgiram no passado recente, do cassete ao DVD. Citam um grande colecionador brasileiro, José Mindlin, que tem uma edição dos Miseráveis lançada no Brasil no mesmo ano em que foi impressa a edição francesa. Os dois, Eco e Carriére, são muito lidos e, além disso, colecionam livros.

Na Village Voice comprei também o livro de memórias de Edward Kennedy, A True Compass. Li apenas as primeiras páginas, quando ele toma conhecimento do câncer no cérebro. O livro tem 506 páginas. É coisa para todo o verão.

O frio e a chuva fina aumentam as saudades do Brasil. Volto para a casa amanhã. Cada viagem curta é um grande estimulo para retomar o trabalho. O noticiário por aí não está muito animador por causa dessa história de Brasília, entre outras. Mas a aprovação do projeto das Cagarras,depois de tantos anos, é um alento, embora não entenda por que demoramos tanto com algo tão obviamente interessante para uma cidade com o calendário que o Rio tem pela frente.

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