O real começo de ano

Por um erro de link, o post publicado ontem, dia 22 de fevereiro, estava errado. Segue abaixo o texto correto.

No Brasil, o ano começa mesmo depois do carnaval. O que vai determinar 2010, em condições normais, é a eleição. Nos anos eleitorais tudo passa a ser visto sob esta ótica. O mosquito da dengue, por exemplo, é o mesmo. Mas suas aparições em anos eleitorais são banhadas por uma nova luz, com promessas de lado a lado. A prevenção é anunciada como grande política, mas, apesar dela, a dengue avança em vários pontos do país, inclusive com tipos novos para os quais ainda não há imunidade.

Outro aspecto que o ano eleitoral coloca  é a necessidade de ver os atos do governo com novo olhar. No Estado do Rio, por exemplo, vai se criar um tribunal só para contas dos municípios. De um modo geral, são cargos novos criados para atender a políticos que não se acomodaram nas coligações eleitorais.

Portanto, o ano que começa não é igual aos outros. E um ano eleitoral, igual aos anos eleitorais, com muita demagogia, movimentos suspeitos. O fato de o governo do Rio ter previsto uma verba de R$180 milhões para publicidade é um bom indicativo de como se movem as máquinas no principio de uma campanha. Vamos estar atentos a tudo, tentando entender e explicar. Nesse começo, basta levar em conta este detalhe: os movimentos políticos estão voltados para a escolha de outubro.

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O caminho de Brasília

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Desde o inicio do escândalo, a solução para o problema de Brasília era clara. O governador Arruda estava envolvido, o vice Paulo Otávio citado em inúmeras gravações, a Câmara Distrital tem um número muito reduzido de deputados confiáveis. A crise iria se desenrolar passo a passo. Depois de Arruda, a pressão se faria sobre Paulo Otávio e quando este caísse, o país acabaria conhecendo melhor a Câmara que existe em Brasília.

Interessante no Brasil como as soluções mais simples demoram a chegar. Lula teria de indicar um sucessor e o PT ganharia, indiretamente, as rédeas do Distrito Federal. E daí? De certa meneira, o PT já é vitorioso pois ganhou uma bandeira de luta contra a corrupção que o remete aos velhos tempos e também lhe dá uma possibilidade de mascarar os novos tempos, os oito anos de governo.

Se não houver intervenção federal, a mobilização em Brasília vai ser permanente, entrando no ano eleitoral. O único problema é encontrar candidatos que não tenham se envolvido, de uma forma ou de outra, com o processo de degradação da política na capital.

Arruda está preso durante o carnaval. Há quatro pedidos de impeachment contra o vice, Paulo Otávio. A solução da crise está muito distante e só a proposta do Procurador Geral da República, a intervenção federal, abre um caminho realmente novo. Mas dada a qualidade da vida política em Brasília, a força do populismo que se baseia na legalização de terrenos ocupados, talvez a solução seja apenas de uma crise. Outras virão no horizonte e, dessa forma, lenta e sofrida, a democracia vai amadurecer no Planalto Central.

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Arruda na prisão

Quando estourou esse escândalo em Brasília, estava no exterior. Ao chegar, na Câmara, afirmei que a saída era a renúncia imediata de José Roberto Arruda e uma intervenção federal, pois os que poderiam substitui-lo eram suspeitos também.

Uma intervenção federal vai fortalecer o Partido dos Trabalhadores nas próximas eleições. Arruda e Roriz eram favoritos. Mas o que importa esta consequência? Arruda escolheu o pior caminho, negando acusações e fingindo que nada aconteceu. Acreditou, como tantos acreditam, que bastava manipular um parlamento distrital também corrompido.

O resultado aí  está. Arruda merece estar preso. Se tivesse renunciado e se dedicasse seriamente à sua defesa, talvez pudesse esperar o julgamento em liberdade. Mas ele fez precisamente o que um réu não pode fazer no desenrolar do processo: tentar comprar testemunhas, no caso o jornalista Edson Sombra.

Arruda rompeu com a realidade. Acreditou que era possível prosseguir na cara de pau, como o fizeram Renan e Sarney no Senado. Nem sempre esta tática dá certo. Quem sabe no futuro, não dará certo para ninguém.

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No caminho de 2010

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Estamos chegando a 2010. É um ano de eleições. Depois da Copa do Mundo, o tema vai ocupar a atenção do país. Chegamos ao final de 2009, sem um resultado satisfatório na questão climática. No México, também em 2010, será possível avançar um pouco mais. Claro que num ano de eleições, será difícil falar de outras coisas. Mas há meses de trabalho pela frente. Fixei dois objetivos, ligados às mudanças climáticas. Um deles é o de contribuir para estruturar uma grande defesa civil no país. Primeiro passo é realizar um seminário onde todas as propostas possam ser recolhidas. O segundo objetivo, também estratégico, é o de criar a Comissão de Oceanos para trabalhar com o tema de forma sistemática.

No princípio do ano, vou publicar aqui um texto explicando qual o caminho tomarei nas eleições de 2010 e o que pretendo fazer nelas. Algo já conhecido é meu apoio à candidatura da Marina Silva. Mas o caminho da minha campanha mesmo, deixo para os primeiros dias do ano. De um ponto de vista parlamentar, acumulei experiência e isto pode fazer com que consiga mais resultados, às vezes com menos energia. Mas o tempo está correndo rápido para nossa geração de políticos. Muitos problemas permanecem quase intocados. Será preciso transformar a próxima década em algo muito produtivo.   Algumas tarefas da democracia não foram concluídas. Uma delas é a prestação de contas transparente dos atos políticos. Muitos insistem em errar e, descobertos no erro, em infantilizar a população. Combate e produtividade serão as linhas nos próximos anos. Combater apenas é pouco. É preciso avançar em alguns pontos, obter algumas conquistas concretas para nosso povo.

Nos primeiros dias do ano, vamos começar a falar de eleições. Desde 1995, o site foi criado para ouvir opiniões. Será na conversa com os eleitores que vamos definir nosso caminho. Desde 1986, participei de eleições, acumulando experiências. Sinto uma certa urgência no ar, talvez pelo fato de que não somos mais meninos e o Brasil avançou no período de democratização sem, no entanto, superar alguns dramas, como por exemplo o da impunidade na corrupção política ou a lentidão exasperante do saneamento básico, a fragilidade de nosso sistema educacional. Bem, isso é conversa para o ano que vem.

No momento, queremos apenas desejar boas festas e um grande ano novo para todos.

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Futuro do Senado

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Após os escândalos da passagem, numa entrevista à revista Época, previ que o Congresso caminhava para um grande desastre. De um lado, o avanço inevitável da transparência; de outro um arranjo institucional que não sobrevive a ela. E dirigido por líderes com experiência de imprensa regional, quase sempre de sua propriedade.

A vitória de Sarney, articulada por Renan Calheiros, iria marcar o fim de uma época, na qual, durante alguns anos, eles reinaram. Um velho e experiente funcionário do Senado me diz agora que essa análise é precária. E chama atenção para o que houve no espaço interno, burocrático. No principio, eram 300 funcionários. Abria-se uma sessão à uma da tarde, encerrava-se às duas. E começava uma extraordinária. Todos tinham direito a uma gratificação e subiam  para receber seu dinheiro em espécie.

Este processo dispendioso não foi combatido pelos senadores. Ao longo do tempo, fizeram milhares de novas indicações, assim foi criada uma miríade de novas possibilidades de se aumentar a renda. O que era um sistema de um grupo, virou um processo de massas com 7 mil funcionários, número muito superior às necessidades. Portanto, o problema não são apenas os senadores, ou apenas os funcionários, mas o tipo de aliança que construíram.

Como desatar esse nó, num jogo tenso com tantas denúncias? A transparência em si apenas revela e intensifica a crise. Para que seja vencida, é preciso uma ação articulada, ainda que levada pela minoria. Numa batalha dessa dimensão, quase ninguém sairá ileso. Mas os ferimentos, certamente, vão compensar o serviço que se presta ao país.

A tarefa existe. Não há santos? Que a realizem os pecadores. A história registra vários casos. Daí um discreto otimismo, mesmo com a inferioridade numérica.

Futuro do Senado

Fernando Gabeira

Após os escândalos da passagem, numa entrevista à revista Época, previ que o Congresso caminhava para um grande desastre. De um lado, o avanço inevitável da transparência; de outro um arranjo institucional que não sobrevive a ela. E dirigido por líderes com experiência de imprensa regional, quase sempre de sua propriedade.

A vitória de Sarney, articulada por Renan Calheiros, iria marcar o fim de uma época, na qual, durante alguns anos, eles reinaram. Um velho e experiente funcionário do Senado me diz agora que essa análise é precária. E chama atenção para o que houve no espaço interno, burocrático. No principio, eram 300 funcionários. Abria-se uma sessão à uma da tarde, encerrava-se às duas. E começava uma extraordinária. Todos tinham direito a uma gratificação e subiam para receber seu dinheiro em espécie.

Este processo dispendioso não foi combatido pelos senadores. Ao longo do tempo, fizeram milhares de novas indicações, assim foi criada uma miríade de novas possibilidades de se aumentar a renda. O que era um sistema de um grupo, virou um processo de massas com 7 mil funcionários, número muito superior às necessidades. Portanto, o problema não são apenas os senadores, ou apenas os funcionários, mas o tipo de aliança que construíram.

Como desatar esse nó, num jogo tenso com tantas denúncias? A transparência em si apenas revela e intensifica a crise. Para que seja vencida, é preciso uma ação articulada, ainda que levada pela minoria. Numa batalha dessa dimensão, quase ninguém sairá ileso. Mas os ferimentos, certamente, vão compensar o serviço que se presta ao país.

A tarefa existe. Não há santos? Que a realizem os pecadores. A história registra vários casos. Daí um discreto otimismo, mesmo com a inferioridade numérica.

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As denúnicas de Jarbas

Junto com o deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR) fiz uma visita ao senador Jarbas Vasconcelos na tarde de ontem. Minutos antes, um grupo de deputados do PSOL tinha estado com ele, pedindo que divulgasse os nomes dos políticos corruptos do PMDB.

É um tipo de exigência feita também pela imprensa mais próxima do governo. Jarbas não quer entrar neste caminho. Mas, na verdade, estimulou a própria imprensa a buscar a verdade sobre o PMDB. O resultado, no primeiro dia, foi a notícia de que 10 dos 19 senadores do PMDB estão com problemas no Supremo Tribunal Federal, dois eles ocupando cargos de destaque: Valdir Raupp e Romero Jucá.

Fizemos uma proposta de formação de uma Frente Parlamentar, depois do carnaval. Seu objetivo é enfrentar o processo de degradação do Congresso. São períodos muito duros quando se começa algo assim. O ressentimento vai às nuvens. Mas é a única maneira de honrar o mandato, nas circunstâncias decadentes em que se encontra o exercício da política no Brasil

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Um cenáriio para a Amazônia

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Por causa da troca de ministros, esta semana foi dedicada ao meio ambiente. Fiz duas intervenções mais longas pela mídia. Uma delas a ser publicada no Liberal, de Belém, e outra na revista Exame da próxima semana.

Sem querer antecipar a forma dessas entrevistas, constato que estou falando a mesma coisa há algum tempo. A Amazônia é um tema de nossa política externa e seria interessante que o discutíssemos como questão nacional e não apenas de governo.

Os pontos básicos são a negociação no interior do governo e a discussão na própria Amazônia de um plano de desenvolvimento sustentável. Uma vez criado e se der garantias de transparência tem tudo para ser financiado internacionalmente.

Embora seja um grande problema, não devemos desistir diante dele. O Brasil já apaziguou conflitos entre Equador e Peru, já contribuiu para o surgimento de uma nova nação, o Timor Leste e garantiu, recentemente, a ordem no Haiti.

Também eram problemas complexos.

Vou acompanhar os primeiros passos da política ambiental para ver o que é possível fazer, para não ficar apenas nas críticas. A Amazônia é um desafio que deveria engajar todas as pessoas de boa vontade para buscar um consenso nacional. Seria o nosso grande argumento. Infelizmente, como os escândalos sucederam-se ao longo do governo, é preciso ser muito convincente sobre a aplicação do dinheiro. Para isso há auditorias, enfim todo um sistema de salvaguardas. Um plano soberano do Brasil financiado pelo mundo é pelo menos uma proposta. E a faço há algum tempo. Mais cedo ou mais tarde será discutida.

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Obama salta na frente

OBAMA

Barak Obama? Que nome é esse? Parece Osama Bin Laden. Não foram poucas as vezes que o senador Barak Obama ouviu isto nas ruas, quando começou sua campanha. Mas também não foram poucas vezes que ouviu esta frase: a política só tem gente estranha, por que se meter nisto?

As histórias das eleições e dos anseios de Barak Obama estão contadas no livro Audácia da Esperança, lançado no Brasil pela editora Larousse.

Vale a pena conhecer esta nova figura da política norte-americana que começa, com sua vitória nas prévias, a ter também projeção internacional. Ele transmite decência em seus relatos, mostra como toma suas posições, como se relaciona com os eleitores, como vê o futuro dos EUA.

Quando digo novo na política, não quero dizer necessariamente marciano. Ele tem uma grande equipe de assessores, procura tomar posições que garantam uma aceitação majoritária e tem a vantagem de não romantizar as revoltas do passado, como as de 1968. Barak era menino naquela época e hoje tem condições de propor pontes entre conservadores e contracultura, buscando um denominador comum para fazer o país avançar.

Com a vitória parcial de Barak e sua aceitação pelos jovens, parece que todo um período da história americana entre em declínio e começa uma nova e interessante fase.

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A urgência do ensino científico

A pesquisa da OCDE colocando o Brasil no 52º. lugar entre 57 paises no aprendizado de ciências não me surpreendeu. Num programa de televisão, logo após as eleições, disse que gostaria de fazer o Brasil avançar em ensino cientifico.

E o fazia a partir da minha experiência como aluno. O método de decorar fórmulas, de examinar a física apenas abstratamente, tudo isso contribuiu para me afastar da ciência.

Agora que o mundo mudou, isto é, a natureza na qual intervimos começa a atuar perigosamente sobre nós, percebo que é tempo de examinar essa lacuna.

A política de quase todos os paises do mundo é, de uma certa forma, determinada pelas conclusões cientificas de 2.500 especialistas. Nas mudanças climáticas, ciência e política se articulam e dialogam. Para dialogar adequadamente com a ciência é preciso se aproximar dela.

Essa precariedade que minha geração experimentou nas escolas brasileiras não deveria nem poderia prosseguir sem um ataque direto. Com o avanço do capitalismo, as mudanças que se processam no próprio mercado de trabalho, o conhecimento em geral e o científico em particular definem nossa capacidade de competir.

Desde o inicio deste mandato tenho buscado contato com os especialistas em educação na Câmara, entres eles Raul Henry (PMDB-PE), o ex-ministro Paulo Renato e Gastão Vieira, Presidente da Comissão de Educação, para ver o que é possível fazer para estimular um salto nacional no ensino cientifico.

Claro que é preciso de um salto no ensino em geral. Mas o atraso no campo cientifico, essa propensão a decorar e anotar, essa falta de laboratórios e mesmo a imaginação pedagógica, tudo isso poderia ser atacado agora.

A pesquisa da OCDE não foi mais que a manchete do dia. Mas pode ser o empurrão que faltava para colocar o tema na agenda.

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O enigma das ruas

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Embora o trabalho ainda não me permita a dedicação exclusiva à campanha, já tenho alguma experiência de rua, nesse 2006. Muita coisa mudou. As pessoas estão mais frias com a política, algumas indignadas. A panfletagem, único mecanismo para divulgar nome e número (acabaram, felizmente, os out-doors e a sujeira dos postes) ainda é dificil.

Muita gente recusa panfleto pois, realmente, nunca se lê nada interessante em panfletos distribuidos na rua. Além disso, agora as pessoas sabem que entre os panfletos que lhes tentam entregar diariamente, estão também os santinhos dos políticos.

É fundamental que as pessoas que panfletam tenham conhecimento dessas limitações. Quase ninguém gosta de panfletos. Esse número fica menor quando se trata de panfleto político.

Muita gente, no entanto, reconhece o trabalho de uma minoria de deputados no Congresso. O ideal é fazer saber à pessoa, antes que ela vire o rosto, que tipo de panfleto, ou principalmente, panfleto de quem você está oferecendo. A única coisa que temos a oferecer é nosso trabalho e nossas propostas. As pessoas entendem e aprovam.

Portanto, vamos à ruas com todo empenho, mas sabendo, com grande precisão, que tipo de ambiente é este das eleições de 2006.

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