Os operários no Alemão

ilustrapac

A morte dos operários no Complexo do Alemão é um sintoma de que há algo errado com o projeto do governo.

Não me refiro a prazos de execução, orçamentos, porque isso pode ser discutido em outro contexto, como o faz Ricardo Noblat analisando o fracasso do PAC em seu blog.

O principal problema é o tipo de arranjo político realizado para que as obras saíssem. Os traficantes continuaram com poder na área. Não só continuaram como sentiram-se protegidos pela existência das obras, um acordo de cavalheiros – um lado não mexe com o outro.

Há pouco menos de um ano, o jornal O Dia divulgou um vídeo de uma festa de aniversário no Complexo do Alemão. Havia uma grande exibição de armas pelos participantes. Na verdade, é difícil encontrar uma concentração de armas pesadas tão impressionante fora dos quartéis. Os traficantes estavam mostrando que estão tranquilos, aproveitaram a trégua para comprar novas armas e ampliar seu domínio sobre a área.

Após a morte dos operários, o Governador Sérgio Cabral concluiu que não bastam obras, é preciso colocar as forças de pacificação. Quanto tempo levou para chegar a esta conclusão? Por que realizar obras na Zona Norte e concentrar o esforço de pacificação em alguns morros da Zona Sul? Os cálculos são sempre políticos, nunca levam em conta um projeto amplo de combate à violência. As obras no Alemão deveriam ter sido precedidas do processo de pacificação.

A escolha do governo acabou levando-o a concluir diante dos corpos dos operários que seus críticos tinham razão.

Comente | Comentários (9)