14.01.2010

O porto foi danificado. O aeroporto, agora controlado pelos norte-americanos, não dá vazão aos pedidos de pouso e os primeiros alimentos chegados não têm quem os descarregue. A polícia nacional do Haiti praticamente desapareceu de cena. Muito possívelmente, o controle do país tem de ser passado às forças de paz – isto é à responsabilidade do Brasil.
Nosso país, entretanto, não tem condições de realizar a tarefa com seus 1300 homens. No momento, este efetivo está dedicado ao socorro e patrulhamento para evitar ondas de saques. Em pouco tempo, a presença norte-americana será dominante. Obama pretende mandar seis mil homens para garantir a segurança e dois porta-aviões, dotados de helicópteros, estão sendo deslocados para a costa haitiana.
Mas o fato de os norte-americanos entrarem em cena, inclusive com ajuda de US$ 100 milhões, não significa que o pesadelo logístico foi superado. As primeiras equipes de salvamento já chegaram, mas não têm equipamentos pesados para retirar o entulho. Isto faz uma enorme diferença. Em Angra dos Reis, quando uma escavadeira entrou em cena, foi possível trabalhar com rapidez e retirar os corpos. Antes de sua chegada, o trabalho patinava com esforço de mãos nuas e equipamentos leves como a pá.
Uma das primeiras lições que tirei do nosso trabalho é a de que não estávamos contando com um colapso nas comunicações. Indivíduos, que usavam uma das empresas telefônicas, conseguiram através do twitter manter contato com o mundo, assim alguns depoimentos pelo skype foram possíveis. Em termos de comunicação era preciso ter a leveza dos indivíduos usando as técnicas mais modernas.
Com isto seria possível alimentar a sala de situação no Brasil, com noticias sobre nossos soldados e funcionários. Na primeira hora depois do terremoto, propus que o Brasil coordenasse os socorros, em sintonia com os Estados Unidos. Mas Obama afirmou agora que isto é uma tarefa para a liderança norte-americana. Ainda assim, o papel da ONU é fundamental e as tropas de paz, que já estão no país, conhecem Porto Príncipe e até falam um pouco o idioma, vão ser decisivas nos primeiros passos para a reconstrução.
Sempre defendi que os EUA tivessem um papel maior que o Brasil. De uma certa forma, estávamos evitando, ao manter o Haiti em paz, grandes ondas de imigrantes clandestinos se lançando no mar.
Sarkozy afirmou que é preciso uma conferência internacional, convocada pelos EUA, França, Brasil e Canadá. Todos têm um vínculo como Haiti. A França colonizou, os EUA invadiram e não resolvem o problema, e o Canadá atraiu a inteligência haitiana que abandonou o país. Acontece que uma conferência agora não diz nada. O problema é logístico, de organização no terreno, tem uma urgência que demanda respostas rápidas. Depois de Copenhague, deveríamos economizar conferências.










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