No caminho de 2010

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Estamos chegando a 2010. É um ano de eleições. Depois da Copa do Mundo, o tema vai ocupar a atenção do país. Chegamos ao final de 2009, sem um resultado satisfatório na questão climática. No México, também em 2010, será possível avançar um pouco mais. Claro que num ano de eleições, será difícil falar de outras coisas. Mas há meses de trabalho pela frente. Fixei dois objetivos, ligados às mudanças climáticas. Um deles é o de contribuir para estruturar uma grande defesa civil no país. Primeiro passo é realizar um seminário onde todas as propostas possam ser recolhidas. O segundo objetivo, também estratégico, é o de criar a Comissão de Oceanos para trabalhar com o tema de forma sistemática.

No princípio do ano, vou publicar aqui um texto explicando qual o caminho tomarei nas eleições de 2010 e o que pretendo fazer nelas. Algo já conhecido é meu apoio à candidatura da Marina Silva. Mas o caminho da minha campanha mesmo, deixo para os primeiros dias do ano. De um ponto de vista parlamentar, acumulei experiência e isto pode fazer com que consiga mais resultados, às vezes com menos energia. Mas o tempo está correndo rápido para nossa geração de políticos. Muitos problemas permanecem quase intocados. Será preciso transformar a próxima década em algo muito produtivo.   Algumas tarefas da democracia não foram concluídas. Uma delas é a prestação de contas transparente dos atos políticos. Muitos insistem em errar e, descobertos no erro, em infantilizar a população. Combate e produtividade serão as linhas nos próximos anos. Combater apenas é pouco. É preciso avançar em alguns pontos, obter algumas conquistas concretas para nosso povo.

Nos primeiros dias do ano, vamos começar a falar de eleições. Desde 1995, o site foi criado para ouvir opiniões. Será na conversa com os eleitores que vamos definir nosso caminho. Desde 1986, participei de eleições, acumulando experiências. Sinto uma certa urgência no ar, talvez pelo fato de que não somos mais meninos e o Brasil avançou no período de democratização sem, no entanto, superar alguns dramas, como por exemplo o da impunidade na corrupção política ou a lentidão exasperante do saneamento básico, a fragilidade de nosso sistema educacional. Bem, isso é conversa para o ano que vem.

No momento, queremos apenas desejar boas festas e um grande ano novo para todos.

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Cartas de Paris II

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Eis algumas grandes dúvidas para Copenhague. Primeira: quanto dinheiro será necessário? De onde sairá? Um novo imposto?

Segunda pergunta: quem vai controlar a redução de emissões do outro? Como construir um processo que dê segurança a todos?

Terceira pergunta: a Europa perdeu a liderança do processo para a dupla EUA-China?

E qual vai ser o comportamento do mercado e da sociedade no caminho de um mundo baixo carbono? Vão andar mais rápido do que os governos?

Em 2012 teremos a Conferência Rio + 20. Até lá, as respostas estarão na mesa.

Bom movimento editorial sobre o clima. Na Village Voice comprei “Política das Mudanças Climáticas”, do Anthony Giddens, e um livro de Thomas Friedman, colunista do New York Times. Hoje pesquisarei os franceses.

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Clima e fim de ano

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Parto esta semana para um debate norte-sul, na Europa. Há quem veja contradição entre norte e sul. São os mesmos que vêem a contradição como o motor da história. Vejo apenas diferenças. Creio mesmo que, pela primeira vez, dada a natureza e gravidade do problema, a humanidade pode viver a história como uma aventura comum.

Não me sinto diante dos países e suas metas como diante de uma mesa de jogo, onde cada um abre suas cartas. Por trás da magia dos números, há processos concretos, mudanças no modo de produzir e consumir. Tudo demanda cooperação.

No Protocolo de Kyoto havia tentativas, uma delas o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo. Há outras sobre a mesa, como por exemplo a Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação. Sem contar a transferência de tecnologias, uma certa flexibilidade nas patentes.

Quando se trata de comércio, os ricos dependem também dos pobres. No caso do aquecimento todos dependem de todos. Mas de uma forma que pode levar à crueldade. A China é  rica para comprar usinas solares dos Estados Unidos e todas as novas técnicas disponíveis.  A Somália e o Haiti, não. Esses, por sua vez, não causam impacto negativo ao meio ambiente.

Por que ajudá-los? Certamente, não para conter emissões. O caso dos países de baixo impacto ambiental, porque produzem pouco, é apenas um deles. Mais urgente, é o dos países pequenos que podem desaparecer. Na verdade, tudo parece urgente. E felizmente, nem tudo depende dos líderes mundiais. Há um mundo de iniciativas em curso.

Quando voltar da Europa, nova vida. Vou me concentrar no estudo do oceano, embora o verão sempre coloque as enchentes na agenda. E vou deixar de escrever na Folha. Agradeço a todos que me seguiram até aqui. Prossigo na internet. Adiós.

Parto esta semana para um debate norte-sul, na Europa. Há quem veja contradição entre norte e sul. São os mesmos que vêem a contradição como o motor da história. Vejo apenas diferenças. Creio mesmo que, pela primeira vez, dada a natureza e gravidade do problema, a humanidade pode viver a história como uma aventura comum.

Não me sinto diante dos países e suas metas como diante de uma mesa de jogo, onde cada um abre suas cartas. Por trás da magia dos números, há processos concretos, mudanças no modo de produzir e consumir. Tudo demanda cooperação.

No Protocolo de Kyoto havia tentativas, uma delas o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo. Há outras sobre a mesa, como por exemplo a Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação. Sem contar a transferência de tecnologias, uma certa flexibilidade nas patentes.

Quando se trata de comércio, os ricos dependem também dos pobres. No caso do aquecimento todos dependem de todos. Mas de uma forma que pode levar à crueldade. A China é  rica para comprar usinas solares dos Estados Unidos e todas as novas técnicas disponíveis.  A Somália e o Haiti, não. Esses,por sua vez, não causam impacto negativo ao meio ambiente.

Por que ajudá-los? Certamente, não para conter emissões. O caso dos países de baixo impacto ambiental, porque produzem pouco, é apenas um deles. Mais urgente, é o dos países pequenos que podem desaparecer. Na verdade, tudo parece urgente. E felizmente, nem tudo depende dos líderes mundiais.Há um mundo de iniciativas em curso.

Quando voltar da Europa, nova vida. Vou me concentrar no estudo do oceano, embora o verão sempre coloque as enchentes na agenda. E vou deixar de escrever na Folha. Agradeço a todos que me seguiram até aqui. Prossigo na internet. Adiós.

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Nordeste, tempo de pensar

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As chuvas que caíram no Nordeste deixam uma grande tarefa para todos: como preparar a região para as mudanças climáticas. Quando saia do Maranhão e falava, precisamente, na necessidade de controle das barragens, não só pela segurança física, mas pela precisão na abertura das comportas, aconteceu a tragédia no Piauí, em Cocal da Estação.

No caso maranhense, propus e vou tentar contribuir para a criação de um comitê de bacia na região do Mearim, abrindo o caminho para as outras onze bacias do estado. No caso do Piauí, não posso afirmar muita coisa, porque não estive lá. Falei com o governador, com o prefeito de Cocal da Estação, e vejo, hoje, na imprensa, que há um ano, a barragem sofria reparos.

Ainda assim, acho que o governador não tinha outro caminho a não ser aceitar as orientações técnicas e liberar a volta dos moradores. No entanto, ele poderia decidir melhor se houvesse um sistema mais perfeito de troca de informações meteorológicas. Havia a formação de tempestades no Ceará e elas influiriam, diretamente, no Piauí. Se houvesse também esse cálculo, e não apenas um exame da barragem, haveria mais dados para uma decisão.

Por isso, além de comitês de bacia, se faz necessária uma rede mais sofisticada de serviços meteorológicos para que todos os estados possam receber informações imediatas. Isto ficou claro no Sul, quando passou o primeiro furacão em Santa Catarina. No Nordeste, onde havia menor incidência de temporais, constatamos que há muita fragilidade. E isso pode ser reparado. Não há desculpa do gênero falta de verbas. O que perdemos com os desastres tende a ser maior do que gastamos com a prevenção.

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Começa o ano em Brasília

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Começa na semana que vem a atividade parlamentar. Começa com uma eleição para a presidência que não trará novidades para o público. Os temas centrais: corte de gastos, voto aberto, fim do foro especial para crimes de políticos. Tudo isso nem será tocado. Na verdade, quem defender essas bandeiras fica bem com a opinião pública, mas perde a maioria esmagadora dos votos internos. Esta é a questão. O Congresso tem uma lógica particular e só se deixa influenciar pela opinião pública em momentos de grande pressão. Assim mesmo, conta com a memória fraca da população. O voto aberto para julgamento de deputados e tudo o mais foi aprovado no momento de grande pressão. Era preciso um segundo turno e, como a pressão esvaziou, jamais conseguimos o segundo turno para confirmar aquela votação.

Qualquer que seja o resultado, continuarei na oposição, no que diz respeito aos grandes temas.

O primeiro projeto que apresentarei é o que proíbe a fabricação de bombas cacho no Brasil. São bombas que se fragmentam, ferindo muita gente. Além disso, às vezes não explodem e ficam no terreno. Como parecem brinquedos são uma atração fatal para crianças. Tentei convencer o governo, através do Itamaraty. O governo recusa participar de um acordo internacional sobre o tema. O único caminho é o da luta através da opinião pública e no parlamento.

Na Comissão de Mudanças Climáticas pretendo colocar a questão das enchentes e da preparação nacional para atenuá-las. Participo da comissão que acompanhou o problema de Santa Catarina e, individualmente, acompanhei também o trabalho da defesa civil em Campos, Santo Antonio de Pádua, Itaperuna e Cardoso Moreira.

Vamos tentar produzir uma verdadeira política nacional de adaptação do país às mudanças climáticas, partindo desse ponto dramático. As chuvas foram produto do aquecimento global? Não afirmo isto. Digo apenas que, como a tendência é a de haver temporais no verão, com ou sem aquecimento, nada melhor do que trabalharmos na política de prevenção.

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As chuvas e o futuro

Uma chuva de 40 minutos inundou o Rio. Agora, Santa Catarina vive um dos momentos difíceis dos últimos anos, com 64 mortos, 50 mil desabrigados, perigo de saques e epidemias.

Aqui na Câmara dos Deputados propus uma reunião de emergência da bancada de Santa Catarina para que possamos avaliar a situação em conjunto e pressionar o governo por ajuda.

Acho necessário que um pequeno grupo se desloque para lá, para examinar as condições das enchentes. No Rio, ficou muito claro que não se limpam galerias, não se desentopem esgotos, enfim todas essas medidas que não aparecem na mídia, logo não dão votos.

Tudo que está acontecendo é apenas um aviso. Precisamos nos preparar para mudanças climáticas mais radicais, para chuvas mais impiedosas ainda. Cidades como Londres já tem núcleos e secretários encarregados precisamente da adaptação da metrópole para as novas condições climáticas.

O conceito de adaptação é fundamental para a sobrevivência humana. Agora vai se tornar um tema político, pois seria irresponsabilidade não considerar esta tragédia catarinense como algo que diz respeito ao nosso futuro.

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Ciência e política verde

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A criação do IPCC, no fim de década de 80, foi o ponto de partida para que, em 1992, no Rio, fosse lançada uma convenção sobre mudanças climáticas, mais tarde desdobrada no Protocolo de Quioto.

No caso do aquecimento global, o papel da ciência foi decisivo. Teria sido decisivo também em Nova Orleans, onde cientistas previram a possibilidade de desastre, mas não encontraram eco nos políticos, Bush à frente.

O Partido Verde não precisa ter uma visão apologética da ciência, mas deve reconhecer que, mais do para qualquer outro, é indispensável ao seu trabalho.

No início de nossa atuação, destacávamos pela denúncia de crimes ambientais. Foi importante. Mas com o tempo, a própria mídia e organizações comunitárias dedicaram-se a esse papel. Nossa presença nas denúncias não é tão necessária, pois são feitas independentes de nós.

Com a avalanche de denúncias na mídia, prosseguir nesse papel anterior é aceitar uma certa desimportância como partido. O momento agora é o de realizar, de propor saídas.

Nessa tarefa de realizar e propor saídas, a ciência é fundamental. Não só precisamos nos aproximar dos cientistas como, dentro dos próprios limites, estudar alguns fundamentos para entender bem o que estão dizendo.

Decorre daí a importância de estimular a ciência no Brasil, acompanhar os programas do governo, tentar adapta-los às necessidades de preservação do planeta.

Se dissermos que somos pelo estimulo à ciência, não estaremos dizendo nada diferente do que dizem todos os outros partidos. Precisamos precisar bem prioridades, encontrar um foco.

No meu entender, o Partido Verde prestaria um grande trabalho se defendesse a melhoria do ensino científico no Brasil. Os recentes estudos mostram nossa situação dramática, pois estamos nos últimos quatro lugares, numa lista de 52 paises pesquisados. Mais de 90 por cento de nossos professores não têm formação para ensinarem ciência, portanto ensinam sem terem se preparado especificamente para isto.

Aí está outra armadilha. Defender o ensino científico, assim como defender a educação, de um modo geral, dá algum prestígio mas não avança em nada o processo.

Precisamos ter foco. No caso brasileiro, proponho que seja a bandeira do PV o ensino científico desde os primeiros anos, que ela seja uma parte do ensino fundamental.

Muita gente vai dizer: não deve tocar em ensino cientifico, mas simplesmente melhorar o ensino. Mas teremos a obrigação de apresentar este ponto claramente, pois é uma necessidade moderna.

O Brasil hoje é um pais em que quase 90 por cento da população acredita em Deus e considera que o ateu é mau caráter e sem moral. Seria ridículo sair por aí discutindo a existência de Deus. Nosso objetivo apenas é o de dar às pessoas algum fundamento cientifico.

Fundamento, aliás que não tivemos. Muitas gerações de brasileiros foram sacrificadas no altar do mau ensino. Éramos obrigados a decorar fórmulas de física, a aprender matemática com professores prolixos, e o resultado não foi apenas a aproximação das ciências sociais, que, em si, nada tem de negativo. O resultado foi também uma resistência ao estudo das ciências, algo desastroso no mundo moderno, onde o conhecimento é o motor do avanço econômico.

Na defesa de um melhor ensino cientifico, teremos de cerrar fileiras com os que defendem também melhorias na educação. Não adianta, por exemplo, falar em melhor ensino cientifico, ou qualquer tipo de ensino, se não cuidamos da formação dos professores e da garantia de condições dignas de trabalho e remuneração.

Estamos num período de festas e, portanto, de alguma dispersão. Voltarei da falar de temas correntes, e no meio de janeiro continuarei esta série de sugestões sobre como atualizar o programa do Partido Verde.

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A urgência do ensino científico

A pesquisa da OCDE colocando o Brasil no 52º. lugar entre 57 paises no aprendizado de ciências não me surpreendeu. Num programa de televisão, logo após as eleições, disse que gostaria de fazer o Brasil avançar em ensino cientifico.

E o fazia a partir da minha experiência como aluno. O método de decorar fórmulas, de examinar a física apenas abstratamente, tudo isso contribuiu para me afastar da ciência.

Agora que o mundo mudou, isto é, a natureza na qual intervimos começa a atuar perigosamente sobre nós, percebo que é tempo de examinar essa lacuna.

A política de quase todos os paises do mundo é, de uma certa forma, determinada pelas conclusões cientificas de 2.500 especialistas. Nas mudanças climáticas, ciência e política se articulam e dialogam. Para dialogar adequadamente com a ciência é preciso se aproximar dela.

Essa precariedade que minha geração experimentou nas escolas brasileiras não deveria nem poderia prosseguir sem um ataque direto. Com o avanço do capitalismo, as mudanças que se processam no próprio mercado de trabalho, o conhecimento em geral e o científico em particular definem nossa capacidade de competir.

Desde o inicio deste mandato tenho buscado contato com os especialistas em educação na Câmara, entres eles Raul Henry (PMDB-PE), o ex-ministro Paulo Renato e Gastão Vieira, Presidente da Comissão de Educação, para ver o que é possível fazer para estimular um salto nacional no ensino cientifico.

Claro que é preciso de um salto no ensino em geral. Mas o atraso no campo cientifico, essa propensão a decorar e anotar, essa falta de laboratórios e mesmo a imaginação pedagógica, tudo isso poderia ser atacado agora.

A pesquisa da OCDE não foi mais que a manchete do dia. Mas pode ser o empurrão que faltava para colocar o tema na agenda.

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