
Escrevo de madrugada em Paris. Ao longo do dia, vou atualizando pelo telefone. Os japoneses estão escrevendo romances para celular. Quem sabe, no futuro, posso me candidatar? Estou preocupado com as declarações de Lula sobre o Irã. Mais uma vez, ele demonstrou uma paciência com o regime iraniano negado pela própria comunidade internacional, China e Rússia inclusive. Ao criticar os EUA e a Rússia dizendo que não tinham moral para pedir que o Irã não se arme, cometeu um erro diplomático. Mesmo considerando o desarmamento nuclear um objetivo nobre para a humanidade, não creio que um presidente deva se exprimir assim.
Outro dia, no Brasil, antes de partir, fiz uma longa exposição sobre a política externa brasileira. Falei da importância crescente do país no mundo e acentuei que estes erros acabam neutralizando os avanços que obtivemos em outras áreas, inclusive a economia.
Pequenos países como a Costa Rica, são muito mais prudentes. O próprio Oscar Arias, que foi presidente de lá, lamentou a posição de quem reconhece as eleições no Irã e se recusa a reconhecer as eleições em Honduras, onde o processo eleitoral em si não foi questionado.
Lula quer dar um balão de oxigênio a Ahmadinejad e diz que isto se deve aos interesses nacionais em jogo. Pois bem, os verdadeiros interesses nacionais do Brasil estão sendo prejudicados e, nesse caso, caminhamos mais para nos isolarmos com o presidente do Irã. Aliás, muitos socialistas franceses me questionaram perplexos sobre esta posição brasileira. Como explicá-la?
Apesar da passagem de Lula pela Alemanha, dois temas continuam ocupando o noticiário: os preparativos para Copenhague e o aumento de tropas no Afeganistão. Sobre Copenhague, recomendo, para quem lê em francês, o número especial da revista Nouvel Observateur, que convidou Daniel Cohen Bendit para editá-la. Quando tiver um tempo, faço uma síntese.
Fiquei feliz com a aprovação do projeto das Cagarras. Elas são apenas um pedaço da baía de Guanabara. Mas podemos começar por ali, refazendo a mata queimada, organizando viagens escolares etc. Pensei num navio a propulsão solar para fazer o roteiro turístico e a área é excelente para mergulho assistido por instrutores, como em Fernando de Noronha. Como disse, a baía de Guanabara poderia um dos grandes trunfos para 2014 e também para as Olimpíadas. Ela está ligada à história do Brasil e também tem ainda alguns vestígios da passagem francesa. Poderíamos começar pelas Cagarras e depois organizar roteiros turísticos pela baía, tentando equacionar o destino da Ilha de Paquetá. Ela foi o paraíso dos namorados. O namoro prosseguiu mas a ilha entrou em decadência. Há formas de recuperá-la e não deveríamos perder a oportunidade de tentar.
É muito estimulante o livro de Umberto Eco e Jean Claude Carriére . Eles falam muito da internet e fazem um balanço de todos os suportes que surgiram no passado recente, do cassete ao DVD. Citam um grande colecionador brasileiro, José Mindlin, que tem uma edição de “Os Miseráveis” lançada no Brasil no mesmo ano em que foi impressa a edição francesa. Os dois, Eco e Carriére, são muito lidos e, além disso, colecionam livros.
Na Village Voice comprei também o livro de memórias de Edward Kennedy, “A True Compass”. Li apenas as primeiras páginas, quando ele toma conhecimento do câncer no cérebro. O livro tem 506 páginas. É coisa para todo o verão.
O frio e a chuva fina aumentam as saudades do Brasil. Volto para a casa amanhã. Cada viagem curta é um grande estimulo para retomar o trabalho. O noticiário por aí não está muito animador por causa dessa história de Brasília, entre outras. Mas a aprovação do projeto das Cagarras, depois de tantos anos, é um alento, embora não entenda por que demoramos tanto com algo tão obviamente interessante para uma cidade com o calendário que o Rio tem pela frente.
Escrevo de madrugada em Paris. Ao longo do dia, vou atualizando pelo telefone. Os japoneses estão escrevendo romances para celular. Quem sabe, no futuro, posso me candidatar? Estou preocupado com as declarações de Lula sobre o Irã. Mais uma vez, ele demonstrou uma paciência com o regime iraniano negado pela própria comunidade internacional, China e Rússia inclusive. Ao criticar os EUA e a Rússia dizendo que não tinham moral para pedir que o Irã não se arme, cometeu um erro diplomático. Mesmo considerando o desarmamento nuclear um objetivo nobre para a humanidade, não creio que um presidente deva se exprimir assim.
Outro dia, no Brasil, antes de partir, fiz uma longa exposição sobre a política externa brasileira. Falei da importância crescente do país no mundo e acentuei que estes erros acabam neutralizando os avanços que obtivemos em outras áreas, inclusive a economia.
Pequenos países como a Costa Rica, são muito mais prudentes. O próprio Oscar Arias, que foi presidente de lá, lamentou a posição de quem reconhece as eleições no Irã e se recusa a reconhecer as eleições em Honduras, onde o processo eleitoral em si não foi questionado.
Lula quer dar um balão de oxigênio a Ahmadinejad e diz que isto se deve aos interesses nacionais em jogo. Pois bem, os verdadeiros interesses nacionais do Brasil estão sendo prejudicados e, nesse caso, caminhamos mais para nos isolarmos com o presidente do Irã. Aliás, muitos socialistas franceses me questionaram perplexos sobre esta posição brasileira. Como explicá-la?
Apesar da passagem de Lula pela Alemanha, dois temas continuam ocupando o noticiário: os preparativos para Copenhague e o aumento de tropas no Afeganistão. Sobre Copenhague, recomendo, para quem lê em francês, o número especial da revista Nouvel Observateur, que convidou Daniel Cohen Bendit para editá-la. Quando tiver um tempo, faço uma síntese.
Fiquei feliz com a aprovação do projeto das Cagarras. Elas são apenas um pedaço da baia de Guanabara. Mas podemos começar por ali, refazendo a mata queimada, organizando viagens escolares etc. Pensei num navio a propulsão solar para fazer o roteiro turístico e a área é excelente para mergulho assistido por instrutores, como em Fernando de Noronha. Como disse, a baia de Guanabara poderia um dos grandes trunfos para 2014 e também para as Olimpíadas. Ela está ligada à história do Brasil e também tem ainda alguns vestígios da passagem francesa. Poderíamos começar pelas Cagarras e depois organizar roteiros turísticos pela Baia, tentando equacionar o destino da Ilha de Paquetá. Ela foi o paraíso dos namorados. O namoro prosseguiu mas a ilha entrou em decadência. Há formas de recuperá-la e não deveríamos perder a oportunidade de tentar.
É muito estimulante o livro de Umberto Eco e Jean Claude Carriére . Eles falam muito da internet e fazem um balanço de todos os suportes que surgiram no passado recente, do cassete ao DVD. Citam um grande colecionador brasileiro, José Mindlin, que tem uma edição dos Miseráveis lançada no Brasil no mesmo ano em que foi impressa a edição francesa. Os dois, Eco e Carriére, são muito lidos e, além disso, colecionam livros.
Na Village Voice comprei também o livro de memórias de Edward Kennedy, A True Compass. Li apenas as primeiras páginas, quando ele toma conhecimento do câncer no cérebro. O livro tem 506 páginas. É coisa para todo o verão.
O frio e a chuva fina aumentam as saudades do Brasil. Volto para a casa amanhã. Cada viagem curta é um grande estimulo para retomar o trabalho. O noticiário por aí não está muito animador por causa dessa história de Brasília, entre outras. Mas a aprovação do projeto das Cagarras,depois de tantos anos, é um alento, embora não entenda por que demoramos tanto com algo tão obviamente interessante para uma cidade com o calendário que o Rio tem pela frente.
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