
No mesmo dia, o governo brasileiro se pronunciou de forma diferente sobre a Conferência de Copenhague. Lula afirmou que a culpa dos fracassos cabe aos europeus; Carlos Minc a atribuiu ao presidente Obama, pedindo que devolva o Prêmio Nobel.
São tiros em direções opostas, mas mesma prática de atirar. Na mesma entrevista, Carlos Minc diz que o Brasil saiu do armário, que assumirá um protaganismo plenetário na questão ambiental. A expressão saiu do armário, sabemos, costuma designar o homossexual que assume sua orientação. É uma escolha pessoal, sem dúvida influenciada por fatores sociais. Mas as opções de uma política externa passam por um choque de idéias, por lutas que acabam levando a transformações, às vezes não desejadas pelos governantes.
Na imagem de Minc, ao sair do armário, o homossexual se define como sempre foi, só que sua orientação foi escondida. O Brasil não foi sempre uma vanguarda ambiental e só agora assumiu uma condição disssimulada. Pelo contrário, o Brasil foi acossado antes de 2002 por causa da destruição das florestas tropicais. Durante muito tempo, recusou-se a aceitar metas de redução de emissões. Foi a partir da pressão social, da tomada de posição de empresários, que as coisas mudaram a ponto de sairmos com metas com a precisão de centésimos, algo que ainda revela nossa insegurança sobre a credulidade do gesto.
O Brasil foi levado a mudar e não assumiu uma condição escondida sob o temor da censura. Mas isso é apenas uma forma de se representar, sempre com os olhos no processo eleitoral. Tanto Lula como Minc trabalham com a contradição como motor da história. E nesse caso específico de ameaça planetária, não é a contradição e sim a cooperação que nos fazem avançar.
Se o Brasil quer mesmo reparar a fragilidade do encontro na Dinamarca, deve apostar num bom diálogo tanto com a União Européia como com os Estados Unidos. Não creio que criticando os dois num mesmo dia, em avaliações desencontradas de responsabilidade pelo fracasso, estejamos escolhendo o melhor caminho para acordos futuros.
Não precisamos nos comportar como um país imaturo, se queremos mesmo viver um novo papel nessa história. Minc, no Globo, aparece deslumbrado por participar com uma reunião com Barack Obama; no Estadão pede que o presidente americano devolva o Prêmio Nobel. Essas sensações conflitantes expressam mais uma competição adolescente do que a confiabilidade de um parceiro em negociações vitais para o planeta.
A embriaguês de Copenhague
No mesmo dia, o governo brasileiro se pronunciou de forma diferente sobre a Conferência de Copenhague. Lula afirmou que a culpa dos fracassos cabe aos europeus; Carlos Minc a atribuiu ao presidente Obama, pedindo que devolva o Prêmio Nobel.
São tiros em direções opostos, mas mesma prática de atirar. Na mesma entrevista, Carlos Minc diz que o Brasil saiu do armário, que assumirá um protaganismo plenetário na questão ambiental. A expressão saiu do armário, sabemos, costuma designar o homossexual que assume sua orientação. É uma escolha pessoal, sem dúvida influenciada por fatores sociais. Mas as opções de uma política externa passam por um choque de idéias, por lutas que acabam levando a transformações, às vezes não desejadas pelos governantes.
Na imagem de Minc, ao sair do armário, o homossexual se define como sempre foi, só que sua orientação foi escondida. O Brasil não foi sempre uma vanguarda ambiental e só agora assumiu uma condição disssimulada. Pelo contrário, o Brasil foi acossado antes de 2002 por causa da destruição das florestas tropicais. Durante muito tempo, recusou-se a aceitar metas de redução de emissões. Foi a partir da pressão social, da tomada de posição de empresários, que as coisas mudaram a ponto de sairmos com metas com a precisão de centésimos, algo que ainda revela nossa insegurança sobre a credulidade do gesto.
O Brasil foi levado a mudar e não assumiu uma condição escondida sob o temor da censura. Mas isso é apenas uma forma de se representar, sempre com os olhos no processo eleitoral. Tanto Lula como Minc trabalham com a contradição como motor da história. E nesse caso específico de ameaça planetária, não é a contradição e sim a cooperação que nos fazem avançar.
Se o Brasil quer mesmo reparar a fragilidade do encontro na Dinamarca, deve apostar num bom diálogo tanto com a União Européia como com os Estados Unidos. Não creio que criticando os dois num mesmo dia, em avaliações desencontradas de responsabilidade pelo fracasso, estamos escolhendo o melhor caminho para acordos futuros.
Não precisamos nos comportar como um país imaturo, se queremos mesmo viver um novo papel nessa história. Minc, no Globo, aparece deslumbrado por participar com uma reunião com Barack Obama; no Estadão pede que o presidente americano devolva o Prêmio Nobel. Essas sensações conflitantes expressam mais uma competição adolescente do que a confiabilidade de um parceiro em negociações vitais para o planeta.
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