“Não adianta votar só porque é do PV”

ilustra_entre

Fernando Gabeira estava em casa com a família, no Rio, quando soube pela TV da tragédia em Angra dos Reis. Não teve dúvidas: alugou um helicóptero e horas depois desembarcava na cidade. Foi o primeiro político importante a chegar.

Oportunismo? Há quem diga que sim, há quem discorde. Mas o episódio é emblemático. O ex-guerrilheiro que chocou o Rio, nos anos 80, ao aparecer na praia com uma sunga roxa, deixou de ser um político de nicho para ocupar espaço no grande jogo. A prova definitiva dessa virada veio em 2008, quando por muito pouco ele deixou de se eleger prefeito: perdeu de Eduardo Paes por uma margem mínima de votos.

Nesta entrevista ele olha para a frente, no caso de Angra, e avisa: “A BR-101 é uma estrada muito inadequada para ter uma usina nuclear”. E faz uma revisão crítica do Partido Verde, onde “muita gente entra” e depois de se eleger “tem comportamento semelhante ao dos partidos convencionais.” E arremata: “Eu não diria para os eleitores votarem numa pessoa só porque ela é do PV.”

O governador Sergio Cabral foi criticado por só aparecer em Angra no terceiro dia da tragédia. O que acha?

Acompanhei a retirada de alguns corpos. Minha posição é de estar presente em todos os desastres. Não se trata de demagogia, esse é o meu trabalho. Ir no dia seguinte me parece mais demagógico ainda.

É perigoso haver uma usina nuclear naquela região?

A BR-101 é uma estrada muito inadequada para ter uma usina nuclear, já que lá estão detectados mais de cem pontos de potencial deslizamento durante as grandes chuvas. Chegamos a interditar Angra I por três meses porque uma encosta podia cair sobre um depósito. Se analisarmos friamente, talvez hoje ela não fosse construída como foi. Além de ser uma área muito chuvosa, o solo não foi estudado devidamente e o estudo geológico foi precário.

Existem culpados pela tragédia?

A construção de estaleiros e a chegada dos ricaços atraiu muita gente em busca de trabalho, gente que se instalou em áreas precárias. Angra precisa de um plano muito rígido para deter esse processo de crescimento nas encostas. Precisa que impeçam a construção de casas de pessoas mais ricas. Briguei no Senado com o Ney Suassuna porque ele comprou uma ilha lá, dentro de uma estação ecológica. Os ricaços compram áreas onde há um pequeno posseiro e tomam conta.

Em Copenhague, Lula passou o comando da comitiva a Dilma. Foi uma boa escolha?

Não havia necessidade de colocar uma pessoa como a Dilma nesse processo. Não é sua área e ela não está familiarizada com o problema. Isso a levou a pequenos tropeços, como declarar que “o meio ambiente é uma ameaça ao desenvolvimento”, e a recusa em admitir que o Brasil poderia contribuir com países mais pobres – posição que foi adotada por Marina Silva e José Serra. A Dilma não mudou a qualidade da delegação brasileira.

O PV vai ter candidato próprio ao governo do Rio e não será você. Por que desistiu?

Ocorre que a campanha ao governo se dará em condições muito desfavoráveis. Eu teria que lutar contra a máquina do Estado e a federal – e contra muito dinheiro acumulado, além da ausência de qualquer escrúpulo. Isso torna os adversários muito fortes. Não queria levar a população a uma campanha onde quase se vence, mas se perde de novo.

Ficou algum trauma da eleição de 2008, vencida aos 45 do segundo tempo pelo Eduardo Paes?

Não é trauma, é que as condições são mais difíceis agora, porque entra o interior e lá a máquina tem peso maior. Não seria interessante fazer campanha para afirmar uma posição. Considerei ser candidato ao governo até o momento em que saiu a candidatura da Marina. Eu não poderia fazer campanha majoritária para ela com todos em torno de mim fazendo para o Serra. Isso levaria certa ambiguidade ao eleitor.

Como ex-petista, seu coração bate mais forte por Dilma ou Serra? Eduardo Jorge, ligado a Serra, está na campanha da Marina…

Meu coração não é partidário. Tenho a sensação de que existe um campo que envolve pessoas do PSDB, do PT e de outros partidos. Nas eleições presidenciais, estou com Marina. Mas acompanho o trabalho de Serra. Em relação a Dilma, ele tem experiência política maior. É já se submeteu ao voto popular.

O PV cresceu, dizem alguns, até demais. O que fazer para que não vire mais um partido fisiológico?

Essa deveria ser uma preocupação central do PV. Muita gente entra nele e, depois de eleger, age como se fosse de um partido convencional. Fazem acordos com qualquer governo e entram no “toma lá da cá”. Isso me constrange muito. Em alguns lugares do Brasil minha imagem foi usada para pedir votos para o PV e nem sempre o resultado foi satisfatório. Isso vai parar. Não aceito mais esse processo. Eu não diria para os eleitores votarem numa pessoa só porque ela é do PV. Dentro dele há candidatos iguais aos outros.

Na bancada você parece um estranho no ninho…

Sempre fui muito isolado na bancada. Nunca me aceitaram como líder.

Defende uma depuração no partido?

Esse processo levaria a um desgaste desnecessário. O ideal é olhar para frente e ter critérios mais rigorosos.

Que lição ficou do caso das passagens aéreas?

Foi um momento importante do meu mandato. Não posso dizer para a população que não cometo erros. A diferença é que, quando cometo, reconheço, reparo e corrijo. Paguei a passagem, devolvi R$ 86 mil de créditos.

O ex-presidente FHC está na cruzada pela descriminalização da maconha, que foi uma bandeira sua por muito tempo. Ainda é?

As bandeiras também evoluem. Hoje não posso mais dizer pura e simplesmente que é preciso descriminalizar. Tenho que dizer como fazer. Isso passa por uma reforma da polícia, que não tem condições nem de reprimir nem de liberar.

Você chegou a comprar sementes de maconha. Foi inclusive no governo FHC (risos). Nunca mais tentou?

Eram sementes enviadas da Hungria e destinadas a uso industrial. A ideia era fazer uma experiência em torno da exploração econômica, mas elas foram apreendidas. Houve um processo, mas fui absolvido. As sementes foram mandadas para os EUA para serem examinadas – se tinham alto teor de THC. Nem mandaram resposta nem devolveram.

A maconha até hoje o estigmatiza?

Em geral me chamam de “veado” e maconheiro juntos. Soltaram mais de um milhão de panfletos a meu respeito. Mas a população já não leva isso a sério.

Qual foi o efeito do tempo na sua postura política? Está mais pragmático?

Assumi um pouco mais a política, embora em todas as campanhas eu diga que é a última. Algumas pessoas da minha família até riem… Eu fazia campanhas para um público determinado. Com o tempo, a gente começa a ocupar um papel mais importante, a disputar eleições majoritárias. Quando passa a tentar representar muita gente, passa a ter visão mais à altura dessa representação.

(Entrevista dada à coluna “Direto da Fonte”, do Estado de São Paulo)

Comente | Comentários (12)

No caminho de 2010

no_caminho_de_2010

Estamos chegando a 2010. É um ano de eleições. Depois da Copa do Mundo, o tema vai ocupar a atenção do país. Chegamos ao final de 2009, sem um resultado satisfatório na questão climática. No México, também em 2010, será possível avançar um pouco mais. Claro que num ano de eleições, será difícil falar de outras coisas. Mas há meses de trabalho pela frente. Fixei dois objetivos, ligados às mudanças climáticas. Um deles é o de contribuir para estruturar uma grande defesa civil no país. Primeiro passo é realizar um seminário onde todas as propostas possam ser recolhidas. O segundo objetivo, também estratégico, é o de criar a Comissão de Oceanos para trabalhar com o tema de forma sistemática.

No princípio do ano, vou publicar aqui um texto explicando qual o caminho tomarei nas eleições de 2010 e o que pretendo fazer nelas. Algo já conhecido é meu apoio à candidatura da Marina Silva. Mas o caminho da minha campanha mesmo, deixo para os primeiros dias do ano. De um ponto de vista parlamentar, acumulei experiência e isto pode fazer com que consiga mais resultados, às vezes com menos energia. Mas o tempo está correndo rápido para nossa geração de políticos. Muitos problemas permanecem quase intocados. Será preciso transformar a próxima década em algo muito produtivo.   Algumas tarefas da democracia não foram concluídas. Uma delas é a prestação de contas transparente dos atos políticos. Muitos insistem em errar e, descobertos no erro, em infantilizar a população. Combate e produtividade serão as linhas nos próximos anos. Combater apenas é pouco. É preciso avançar em alguns pontos, obter algumas conquistas concretas para nosso povo.

Nos primeiros dias do ano, vamos começar a falar de eleições. Desde 1995, o site foi criado para ouvir opiniões. Será na conversa com os eleitores que vamos definir nosso caminho. Desde 1986, participei de eleições, acumulando experiências. Sinto uma certa urgência no ar, talvez pelo fato de que não somos mais meninos e o Brasil avançou no período de democratização sem, no entanto, superar alguns dramas, como por exemplo o da impunidade na corrupção política ou a lentidão exasperante do saneamento básico, a fragilidade de nosso sistema educacional. Bem, isso é conversa para o ano que vem.

No momento, queremos apenas desejar boas festas e um grande ano novo para todos.

Comente | Comentários (6)

O ovo da serpente

ilustra_ovo_da_serpente

A violência no Rio é muito debatida, quando há grandes fatos, crimes revoltantes. No entanto, muitas coisas acontecem numa quase surdina e elas são o indício de que os tempos podem ser piores.

Há alguns meses, o site do jornal O Dia divulgou um vídeo da comemoração do aniversário de um traficante no Complexo do Alemão. Havia uma tal concentração de armas nas mãos dos participantes da festa que pareciam preparados para dominar uma boa parte da cidade. Fuzis pendurados no peito, o aniversário parecia um momento de descanso de um exército tropical e descamisado.

Aquilo passou. Afinal é preciso tocar as obras do PAC. Agora, no auge da crise do helicóptero abatido, surgiu uma outra despretensiosa noticia no jornal da rádio Bandeirantes: um candidato potencial a deputado foi assassinado em Rio das Pedras, região dominada pelas milícias. O corpo foi encontrado na Cidade de Deus, com perfurações de bala e sinais de tortura.

Às vezes, quando se dá  a crise a sensação que temos é de que tudo vai mudar. O governo anuncia medidas, Brasília envia mais dinheiro e todos tentam dormir tranqüilos.

O processo não para. Enquanto se discute se a pré campanha presidencial está  nos limites da lei, uma outra pré-campanha está em curso. Ela começa com a eliminação física de adversários. Tanto no Complexo do Alemão como em Rio das Pedras, os vínculos entre política e crime passam ao largo e, quando surgem acontecimentos espetaculares, parecem um relâmpago em céu azul.

Todos esses fuzis e metralhadoras estarão diante de nós na campanha de 2010. Não é difícil saber a quem servem. O foco atual é o comércio de drogas. Mas durante o período não eleitoral, esquecemos do comércio de votos, ao qual as armas servem com grande eficácia. Servem a quem?

Comente | Comentários (13)

Neda, martírio e Islã

neda1

A morte da jovem Neda Agha-Soltan,metralhada pela milícia Basiji, um ramo da Guarda Revolucionária, traz a cena o martírio, algo importante na religião muçulmana, sobretudo entre os xiitas, majoritários no Irã. Os aitolás impediram que ela tivesse um funeral muçulmano. Mas isto não adianta. Ela se tornou um símbolo universal.

Discutimos muito ontem se colocaríamos ou não a imagem de sua morte no ar. Optamos por avisar que eram imagens fortes, mas divulgamos aqui como foi divulgada em toda parte do mundo. A proximidade de um telefone celular revela como a violência do governo iraniano é combatida com meios eletrônicos, uma característica dessa crise.

Segundo a religião, Neda deverá ser lembrada no terceiro, sétimo e quadragésimo dia de sua morte. Estas datas passaram a ser mais uma agenda de lutas para a oposição.

Comente | Comentários (2)

Irã após o discurso de Khamenei

iransabado3

A crise no Irã deve tomar novas formas a partir de agora. O regime liderado pelo Aiatolá Ali Khamenei fala em banho de sangue se as demonstrações continuarem.

Pela manhã no Brasil, as informações sobre nova marcha ainda eram contraditórias. Uma entrevista da ganhadora do Nobel da Paz, a iraniana Shirin Ebadi fala da situação dos direitos humanos, neste momento no Irã. Um artigo de David Brooks, do Nytimes, reproduzido pelo Estadão, afirma que o Irã nunca mais será o mesmo.

Brooks não diz no que o país vai se transformar mas constata que a velocidade dos fatos supera a capacidade dos analistas,que não têm ferramentas para analisar mudanças tão rápidas.
Aqui no Brasil, o discurso de Lula sobre a Amazônia contém muita coisa sensata.

Ele recordou o momento em que era permitido desmatar na Amazônia e lembra que entramos no momento em que é proibido desmatar.

Mas não falou claramente da estrutura de fiscalização que seria necessária para controlar os fatos lá onde acontecem.

Comente | Comentários (1)

O primeiro passo

Começa hoje, oficialmente, a grande luta para definir os destinos do Rio. Na verdade, ela já começou um pouco antes, no esforço para evitar que censurassem a internet. O que fizemos aqui foi também importante para outras cidades do Brasil, que dependem tanto quanto nós desse veiculo democrático.

Para quem não dispõe de grandes máquinas de governo, ou mesmo de estruturas religiosas, a internet é o caminho para debater, organizar e multiplicar nossas forças. Por isso preparamos este site com muito carinho para atingir dois objetivos: melhorar a qualidade de nosso trabalho na rede e ganhar as eleições.

As doações, que fazem parte de nosso projeto, ainda não podem ser feitas, pois falta um documento do TRE. Assim que chegar, serão liberadas.

Entrevistas, palestras, debates, textos de programa, está tudo aí. Só falta agora a grande presença nessa campanha de 2008: a do eleitor que se orgulha de seu voto.

No Rio que queremos o prefeito não é a pessoa mais importante, mas sim as pessoas que mantêm todo o trabalho com o pagamento de seus impostos.

A partir de hoje, todas as impressões e propostas do candidato serão discutidas aqui. Façam um bom proveito. Precisamos vencer as máquinas e renovar a política da cidade.

Comente | Comentários (0)

Notas para o pós carnaval

Dizem que, sob certos aspectos, o ano novo no Brasil só começa depois do carnaval. Mas já é hora de falar dos planos, uma vez que 2008 promete dar muito trabalho.

É impossível planejar sem levar em conta as eleições municipais que vão ocupar o centro do debate político.

Já estamos reestruturando o Cidade Sustentável para fazer frente à demanda que o tema da administração urbana vai revelar.

Quando inauguramos o site, nas eleições de 2004, nossa intenção era fazer com que, através da rede, as cidades fossem vasos comunicantes. Mantivemos o esforço de levantar todas as iniciativas vitoriosas no campo da sustentabilidade urbana para divulgá-las no Brasil.

Precisamos fazer mais. Nossa intenção é a de cobrir as eleições municipais, destacar pontos programáticos e abrir, o site, para artigos de candidatos que tenham algo a nos dizer, independente de seus partidos.

Esperamos oferecer um quadro da sustenbilidade nas propostas de campanha, sugerindo e contribuindo com todos que queiram avançar a administração urbana no Brasil.

Mas o ano também será de trabalho no meio ambiente, com o lançamento pelo governo de uma política em relação ao aquecimento. Estamos interessados em desenvolver vários temas e já apresentei um projeto para que tenhamos uma base mínima: um inventário atualizado das emissões brasileiras, certamente ampliadas com a colocação em funcionamento de mais de 20 centrais térmicas. Portanto, o tema da energia e também de seu uso racional estará na ordem do dia. A não ser que chova muito e o debate seja novamente adiado.

O Ministro Mangabeira Unger tentou iniciar um debate sobre a política do desenvolvimento da Amazônia. Parece que quis balançar um pouco o quadro, trazendo algumas propostas faraônicas, como o aqueduto da Amazônia ao Nordeste.

A transposição do São Francisco já é uma tentativa de atacar o problema. Durante muitos anos, trabalhou-se com a hipótese de fortalecer o processo de abastecimento do nordeste, usando as águas do Rio do Sono, um afluente do Tocantins.

De repente, ao invés de aproveitar esse debate, Mangabeira Unger sai com uma nova e cinematográfica idéia. Ele ignorou nas suas afirmações, ao dizer que a Amazônia não pode ser um parque, o fato de que a floresta em pé significa a prestação de inúmeros serviços ecológicos ao planeta, serviços que podem ser valorados e transformados em recurso para o desenvolvimento sustentável.

O Brasil é soberano na sua política sobre a Amazônia. Mas deveria reconhecer algumas coisas: outros paises detêm partes da floresta e era necessário uni-los, pelo menos em torno do podemos dar: informações. O Sivam, que nos custou um bilhão e meio de dólares poderia ser a peça fundamental nessa união.

O outro aspecto importante é reconhecer que, sem perder nenhum nível de soberania, a ajuda internacional é bem vinda, sobretudo porque é a maneira como se recompensam os serviços ambientais.

Também na política externa a América Latina, sobretudo Bolívia, Paraguai (que terá eleições), Venezuela e Equador vivem momentos especiais. Além disso há a crise entre Venezuela e Colômbia, precipitada pelo reconhecimento das Farc por Chavez e suas constantes acusações ao presidente Colombiano. O que é possível fazer em termos de Congresso? A maneira como podemos interferir é promovendo audiências públicas e discutindo com o governo.

Não temos excessivas ilusões. Mas alguma coisa é sempre possível mudar para que a política externa brasileira tenha uma cara de política nacional e não a cara de apenas uma corrente política. O Brasil deve fazer pressão para que sejam libertados os reféns da Farc e prosseguir condenando seqüestros. Aquele primeiro passo de ir participar de um show fracassado de Chavez foi muito desequilibrado, para dizer o mínimo.

Comente | Comentários (0)

Morte do general brasileiro no Haiti

19:00h – Eleiçoes e sequestros 

A morte do general Urano Bacellar acontece num momento em que as forças militares da ONU preparavam uma grande ofensiva para garantir a segurança em Porto Príncipe. A última entrevista do comandante da MINUSTAH, Juan Gabriel Valdes, responsável pelo conjunto da missão que era dirigida militarmente pelo general Urano, foi inquietante.

Valdés anunciou que alguns candidatos às eleições no Haiti estavam se preparando para fazer uma onda de sequestros e, com o dinheiro obtido nela, financiar suas campanhas.

A reunião do Conselho de Segurança da ONU e também a manifestação da OEA serviram para bater o martelo: as eleições serão mesmo no sete de fevereiro. Vai ser um período conturbado.

18:36h

O general Urano Bacellar morreu num momento de frustração com mais um adiamento das eleições no Haiti. A própria Onu está recomendando que se façam eleições no dia 7 de fevereiro, para acabar de uma vez com essa novela.

Um dos grandes problemas das eleições é o favoritismo do ex-presidente René Préval, considerado um aliado de Aristides, o presidente deposto.

Um clima de intransigência está sendo criado entre as forças políticas do Haiti e os especialistas acham que as eleições vão trazer um comportamento mais radical. Isso significa para elas a velha história do Haiti. 

Aristides deposto, sua força política continua viva entre a população pobre de Porto Principe, apesar dos grupos armadas que também se reclamam partidários de Aristides. Mas esses grupos, em alguns lugares como Bel’Air, parecem ter sido neutralizados.

Um dos pontos centrais que essa presença estrangeira no Haiti deveria considerar: por que, apesar de ocupado em 1915 e em 1994, os problemas do Haiti retornam sempre a uma crise política profunda? Quem não analisa cuidadosamente a história, corre o risco de repetí-la.

18:00h

A morte do general Urano Bacellar, comandante da ONU no Haiti, ainda não está de todo esclarecida. As primeiras notícias indicavam que houve suicídio. Havia referência a sua posição no quarto de hotel e fotos. A nota do Exército Brasileiro diz que houve um acidente com arma de fogo. O representante da ONU, no Haiti, anunciou que concederá uma entrevista às 19 horas para informar sobre o caso.

Estamos publicando a primeira notícia e vamos acompanhar o caso.

Comente | Comentários (0)

Mensagem na reta final

{38F2ED77-B611-435F-BDB1-3D90584BB0DE}_gabeira_logo_campanha

Neste momento em que as eleições de 2006 estão tão próximas, é necessário, antes de tudo, agradecer as centenas de pessoas que nos ajudam e também a todos que nos contemplam com seu voto.

Nossa experiência em reta final, desde as eleições de 1982, as primeiras do período de abertura política, revela que esse é um momento crucial.

Milhares de pessoas que ainda não têm candidatos voltam-se para os amigos e parentes pedindo sua opinião. Em quem votar, por que votar neste e não em outro candidato?

Os debates travados em nosso site, assim como os documentos diários que dão transparência ao trabalho, servem como fundamento para a argumentação. Uma pessoa que já saiba em quem votar e porque votar tem um papel extraordinário no círculo de amigos e conhecidos.

Essa é uma qualidade de nossos eleitores e certamente vai nos ajudar. No dia das eleições é proibido aliciar eleitores. Mas não é proibido conversar, muito menos expressar sua preferência pessoal, com uma camiseta ou mesmo com a praguinha da campanha.

Muitos dirão que estou eleito e pretendem votar em outro, para ajudar. Algumas eleições foram perdidas porque as pessoas se consideravam eleitas antecipadamente. É preciso votar no candidato que se considera mais apto para cumprir o papel de seu representante. Quanto mais votos ele tiver, mais força terá para lutar, mais claro ficará para os adversários da ética na política, a mensagem dos eleitores.

Agradeço antecipadamente a todos que nos ajudaram, escrevendo, distribuindo material, discutindo nas inúmeras rodas de conhecidos. Foi um momento inesquecível esse encontro com os eleitores, os que nos acompanham há 12 anos, e os novos que apareceram agora para fortalecer nossa mensagem.

Comente | Comentários (0)

Começou 2006

Agora não tem mais jeito. O ano começou. Ano de Copa do Mundo e eleições costuma ser especial. O Movimento dos Sem Terra lançou uma nova temporada de invasões, argumentando que não ficaria refém da Copa e das eleições.

Isso nos remete à juventude, quando dizíamos que o carnaval era um período como outro qualquer e que a luta deveria prosseguir.

Não se pode ficar paralisado num ano de eleição. No entanto, é preciso cuidar dos temas que ajudam a decidir uma eleição. Como fizemos em 2004, lançando o Cidade Sustentável (www.gabeira.com.br/cidadesustentavel), site destinado aos prefeitos e vereadores que seriam escolhidos.

Agora a tarefa é mapear os principais problemas que podem ajudar o Brasil nessa transição. É uma transição porque mesmo em caso de vitória de Lula, possivelmente alguma coisa nova vai querer apresentar em seu governo.

Ele disse ao The Economist que o Brasil não tinha pressa de crescer. Foi bombardeado. Mas os petardos talvez não tenham atingido o alvo. Lula, certamente, disse que o país descartava a pressa que compromete a sustentabilidade do crescimento. Nesse sentido, sua afirmação é de que tem só a pressa da sustentabilidade.

Aí está o verdadeiro problema. Lula vê a sustentabilidade escorada apenas numa austera gestão financeira. Mas para avançar no mundo globalizado é preciso cuidar de outras variáveis: infrestrutura, choque na educação, inclusão digital. Para não falar no desafio que ele está perdendo: o ajustamento da dispendiosa máquina do estado, incapaz de responder às necessidades do Brasil de hoje.

O número de funcionários e o dispêndio da máquina cresceram. Brasília é a cidade com maior índice de desnvolvimento humano do país. Tudo vai bem por lá, pelo menos no Plano Piloto.

Esta máquina voraz e incompetente é um obstáculo ao crescimento sustentado. No entanto, não se toca no assunto e temo que ele não seja central nas eleições de 2006.

Vamos começando devagar o ano e quero compartilhar algumas idéias para esse principio de trabalho. No campo do meio ambiente, nessa primeira semana, as atençães estão voltadas para um projeto de parcelamento do solo, considerado um instrumento perigoso para a degradação das cidades. Na esfera internacional, vamos fazer um debate com o Ministro das Relações Exteriores sobre o futuro de nossa presença no Haiti. No campo da punição aos deputados envolvidos em escândalo, haverá votação em plenário, com cassações. Defensores dos animais chamam a atenção para a intensificação da violência na Farra do Boi em Santa Catarina. Agenda para semana santa.

Assim vamos cuidando das emergências, dos temas que atravessaram o ano, sem ignorar a importância das eleições. E trazendo para elas um tema central: como inserir o Brasil no mundo globalizado.

Há inumeros outros caminhos para a discussão. O que menciono, entretanto, acaba sendo a convergência de todos. Não sairemos do mundo. As oportunidades e os perigos estão nele. Combate à pobreza, proteção ambiental, avanço na educação, tudo isso ganha sentido num projeto que permita ao Brasil explorar esse momento de relativa prosperidade mundial.

É dificil traçar uma linha em campanhas confusas, cheias de denúncias, truques, acordos espúrios. No momento, acho que esta é a questão, como achei em 2004 que a melhor maneira de contribuir era discutir a sustentabilidade das cidades brasileiras.

Manhã de segunda, o ano apenas começando. Veremos o que sairá disso tudo, embora envoltos em pesquisas, lutas pessoais e muita propoganda, a gente ainda tenha dificuldade em encontrar aquele ponto decisivo de intervenção, através do qual poderemos avaliar se 2006 será um ano ganho ou perdido.

Comente | Comentários (0)