12.01.2010

Uma das coisas que evito é dizer que os acontecimentos confirmaram minha análise. Nem sempre isto acontece. Mas no que diz respeito ao Plano de Direitos Humanos acredito que minha intuição vai se mostrar correta: o governo vai recuar nos pontos polêmicos e deixar que os outros sejam guardados na gaveta do Congresso.
As razões da minha análise são as mais simples. O plano surgiu na imprensa num período de entressafra de notícias. Logo, seria uma tábua de salvação para esquentar o noticiário em dias de férias. O plano é lançado num momento pré-eleitoral. A candidata do governo participou da luta armada e é considerada de esquerda. Sua imagem seria fixada na opinião pública a partir de seu passado radical e não dos seus dotes administrativos, que o governo pretende enfatizar.
O governo só perderia se o tema com mais dois meses de debate. Daí, o movimento que previ: uma saída do gênero nem muito rápido para não parecer medo, nem muito devagar para parecer provocação. Lula admite retirar o questionamento a lei da anistia e a legalização do aborto. O líder do governo na Câmara, Cândido Vacareza, foi mais explicito na entrevista de hoje ao Estadão: “Plano de Direitos Humanos será esvaziado”.
Depois de assinar, sem ler, um plano eclético, com algumas bandeiras corretas, e outras muito polêmicas, Lula não tem outro caminho a não ser o da retirada. Isto não significa que os temas de direitos humanos serão esquecidos ou minimizados na vida política brasileira. Seu debate e aprovação seguem o caminho democrático, a partir da iniciativa parlamentar e amplas consultas à sociedade.








Comente | Comentários (10)