Esperei notícias da Petrobrás. Ontem, disse que o derramamento de óleo na bacia de Campos foi de 13 mil litros. Hoje, fiquei sabendo que era de 26 mil. O dobro. Mais uma vez a Petrobrás anunciou pela metade o volume de óleo derramado.
A novidade é que agora estamos tendo desastres nas plataformas. Começou com navios, passou pelos dutos e chegou a plataforma. Só mesmo uma auditoria em todas as instalações da Petrobrás vai indicar o rumo das mudanças.
Aliás, isto já foi determinado pelo Conama, numa sessão em que eu estava presente.
Tirei o feriado para conhecer a Fnac , que acaba de chegar ao Brasil. É um imenso supermercado cultural. Funciona no Barra Shopping, no Rio.
Conheci a Fnac em Montparnasse. Era asilado político. Quase não tinha dinheiro. Era uma tentação ver tanto livro, tanta música e equipamentos de sonho, como os vários modelos da Leica. Agora, ela está também em Les Halles, onde visito mais.
Vi a Fnac surgindo em Berlim. Era luxuosa. Quando deixei Berlim, em 92, já se falava no fechamento. Não tinha dado muito certo em Berlim, embora exista também em Nova Iorque, onde o consumo cultural é muito grande.
Saí sem comprar nada. Voltarei para ver se há alguma coisa nos detalhes. De um modo geral, o setor de fotografia é limitado. Disseram-me que o de histórias em quadrinho também. Nao encontrei, por exemplo, a camara digital da Nikon D1. Na verdade, os principais sistemas não estavam representados com sua top de linha
Tudo bem. Não sou crítico de supermercados culturais e espero que haja consumo suficiente para manter a Fnac de pé. De uma certa forma, seu estilo já havia sido inaugurado em São Paulo e no Rio, com megalivrarias. A Saraiva do New York Center já é de grandes dimensões, vizinha da Fnac. O que desequilibra, a favor da Fnac são os livros importados e as seções de aparelhos de som e informática.
Enfim, simbolos da globalização vão surgindo aqui e ali, como se para nos lembrar que, de certa maneira, o mundo hoje é um só, apesar do desconforto de grande parte de seus habitantes.
Agora, é preparar o trabalho da próxima semana. Será dificil conseguir alguma coisa de concreto, fora do tema corrupção. A notícia de que o rombo na Sudam era de R$ 1,7 bilhão teve um impacto enorme. É só parar para pensar nessa cifra. E imaginar o quanto não poderia ter rendido num projeto de desenvolvimento sustentável para Amazônia. A mesma classe dominante predadora, em relação ao meio ambiente, é que corrói os cofres públicos.
É preciso um projeto de salvação e desenvolvimento econômico para a Amazônia. Quem serão os interlocutores?
Os militares são interlocutores importantes. Mas e os politicos e empresários? Em quem confiar, como desenvolver mecanismos de controle social. Estados como o Acre e o Amapá, dirigidos pela esquerda, poderiam ser um bom experimento. Até que ponto se pode formar, através do estado e setores populares, uma frente de desenvolvimento sustentável. Que papel definiriamos para a ajuda estrangeira? Com conciliá-la com nossa visão soberania?
As ONGs aparecem também como um grande ator, embora tenham de estar abertas para receber o mesmo nível de crítica de que todos que estão na cena pública.
E a Funai, o que é isso? Muito rejeitada pelo governo, embora pudesse ser um grande instrumento, inclusive no diálogo internacional?
Essa história da Sudam não pode ficar assim. Além de se desvendar a corrupção será necessário um novo caminho.
Vou aproveitar para tentar introduzir esse debate nas comissões em que trabalho: meio ambiente e minorias, segurança nacional e relações exteriores e direitos humanos.
É preciso que a comissão da Amazônia tenha um papel dinâmico nesse debate porque os deputados da região estão concentrados nela.
Meu primeiro passo foi convidar para falar sobre a Amazônia o general Alceste, comandante da região militar. Conhece muito bem a área que comanda : quatro milhões de quilômetros quadrados, maior que toda a Europa, sem a Russia.
Pensar que nessa região estrategicamente vital, o Brasil jogou pelo ralo quase dois bilhões de reais. O governo finge que não é com ele, mas quem governava o Brasil quando tudo isso se perdeu? Quem deveria controlar?
Quando o governo olha os movimentos da Sudam de fora, parece aqueles conquistadors que passam a mão nas mulheres e se desculpam dizendo que foi um gesto irresistivel, como se a mão fosse autônoma, isentando seu dono de qualquer responsabilidade.
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