27.05.2009

SÃO LUIS – Cheguei à capital no princípio da tarde. Passei as primeiras horas discutindo com as equipes que trabalham com o efeito das chuvas em 106 cidades do Maranhão. Viajo na primeira hora de amanhã para o interior. Estou preocupado com as previsões. Pode chover mais nos próximos dias, pois há uma convergência de nuvens como que estacionadas na região.
Já morreram 13 pessoas. Cerca de 88 mil desalojados sobretudo no Vale do Mearim. Quase todas as bacias sofreram com destaque para o Mearim e Itapecuru. O estado tem dificuldades em abordar estes problemas. Nas cidades não há defesa civil instalada. O governo está se instalando, pois caiu o governo antigo, por força de decisão judicial.
O governo federal promete 120 milhões. No ano passado houve enchentes e um movimento para construir 1167 casas. Não saiu nenhuma. O problema é que a burocracia é grande e os prefeitos não estão acostumados a preencher os formulários necessários. Muitas prefeituras não pagam INSS.
Vou percorrer os principais abrigos. O setor de saúde está preocupado com focos de malária. Houve três casos de leptospirose. A dengue, que foi maior no ano passado, está declinando em 2009. A governadora Roseana Sarney parte para uma operação em São Paulo. Viajarei com alguns deputados daqui e um técnico do INPE. Assim que as águas baixarem, vamos ver o que é possível fazer para evitar o caos maior. Mas vamos também ver o que é possível fazer no futuro.
Quando voltar da viagem, no começo da noite, relato o que vi. Por enquanto, fiquei em São Luis, onde há nuvens escuras e gente esperando chuva, como a que caiu ontem, inundando os principais bairros da capital. Até mais tarde.
O problema central, além de arrancar o dinheiro do governo, vai ser utilizá-lo com inteligência. Nem governo estadual nem prefeituras têm condições de fazer isto. Era preciso encontrar uma entidade para administrá-lo. Um pouco como o que acontece com hospitais. Às vezes, é preciso uma outra entidade para administrá-los.
O Maranhão tem metade do orçamento da cidade do Rio, cerca de 5 bilhões. No principio do ano, tinha um bilhão em caixa. Com a saída do governo antigo, o dinheiro evaporou, ficando apenas 306 milhões. As despesas de pessoal subiram de 143 milhões para 293 milhões. Despesas crescentes, queda de seis por cento na arrecadação, o panorama, a curto prazo, não é dos melhores. Hoje à noite, vou me encontrar com prefeitos das áreas atingidas que também andam por aqui. Mas é amanhã mesmo que a viagem começa.









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