26.01.2010

O fechamento da RCTV é apenas um dos problemas de Chávez. Há a questão econômica, dramatizada pela política de câmbio, o desabastecimento e encampação de supermercados, a falta de energia e água (estes temas bastante populares), a crise com a Colômbia e outros problemas.
Mas examinando a demissão do vice-presidente Ramon Carrizalez entendemos que há um outro transtorno muito sério por lá. É a cegueira antiamericana. O vice entrou em crise com o Ministério da Defesa porque este denunciou a invasão do espaço aéreo venezuelano por um avião dos EUA. Descobriu-se, em seguida, que a foto do avião fora retirada da internet. A invasão do espaço aéreo foi produzida nos computadores.
Não é novidade esta cegueira. Chávez declarou que o terremoto no Haiti foi provocado por uma nova arma americana construída para produzir, artificialmente, desastres naturais. Os americanos teriam testado esta arma no Haiti, para usá-la depois em território iraniano.
Aparentemente, a crise não deveria levar a estas invenções, pois há muito o que fazer para aplacar a irritação popular. Mas aí, entra o velho fator de criação da ameaça externa para manter a coesão interna em tempo de crise. Bode expiatório histórico, os Estados Unidos, desta vez, mantêm uma posição distante porém atenta aos movimentos de Chávez. Tudo o que ele deseja, no momento, é um gesto de hostilidade norte-americano. Na falta dele, recorre às montagens fotográficas e à fantasia científica.
Ainda há quem admire a considere a experiência chavista uma boa alternativa para o Brasil. É a famosa vanguarda do atraso.











Comente | Comentários (12)