O que há com o Chávez?

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O fechamento da RCTV é apenas um dos problemas de Chávez. Há a questão econômica, dramatizada pela política de câmbio, o desabastecimento e encampação de supermercados, a falta de energia e água (estes temas bastante populares), a crise com a Colômbia e outros problemas.

Mas examinando a demissão do vice-presidente Ramon Carrizalez entendemos que há  um outro transtorno muito sério por lá. É a cegueira antiamericana. O vice entrou em crise com o Ministério da Defesa porque este denunciou a invasão do espaço aéreo venezuelano por um avião dos EUA. Descobriu-se, em seguida, que a foto do avião fora retirada da internet. A invasão do espaço aéreo foi produzida nos computadores.

Não é  novidade esta cegueira. Chávez declarou que o terremoto no Haiti foi provocado por uma nova arma americana construída para produzir, artificialmente, desastres naturais. Os americanos teriam testado esta arma no Haiti, para usá-la depois em território iraniano.

Aparentemente, a crise não deveria levar a estas invenções, pois há muito o que fazer para aplacar a irritação popular. Mas aí, entra o velho fator de criação da ameaça externa para manter a coesão interna em tempo de crise. Bode expiatório histórico, os Estados Unidos, desta vez, mantêm uma posição distante porém atenta aos movimentos de Chávez. Tudo o que ele deseja, no momento, é um gesto de hostilidade norte-americano. Na falta dele, recorre às montagens fotográficas e à fantasia científica.

Ainda há quem admire a considere a experiência chavista uma boa alternativa para o Brasil. É a famosa vanguarda do atraso.

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Chávez e a democracia

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Um dos pontos centrais da democracia é a existência de imprensa livre. A implacável perseguição que Chávez move à RCTV é uma demonstração de que preferiu o caminho ditatorial. Existem no arsenal leninista inúmeros argumentos, segundo os quais a verdadeira democracia pode e deve suprimir a imprensa burguesa, reservando canais e espaços públicos para as classes sociais oprimidas.

Quando você  vai um pouco mais fundo nesta argumentação, descobre que as classes sociais oprimidas são representadas por associações, por sua vez dirigidas pelos autores dos argumentos liberticidas. No Brasil, a imprensa não foi censurada. Mas o modelo que Chávez coloca em cena vai, fatalmente, desembocar no instrumento único de comunicação, como em Cuba.

No Brasil, já aconteceram várias tentativas de estabelecer o que se chama de controle social sobre os meios de comunicação. Até o momento, as tentativas fracassaram. Mas as teses surgem aos borbotões nas conferências patrocinadas pelo governo. Pode ser até que reapareçam agora no Fórum Social Mundial. Mas a democracia mais ampla no setor não é feita de proibições e confiscos nem nos é dada por teóricos de esquerda. A democracia nos meios de comunicação se ampliou com o desenvolvimento da tecnologia, com a revolução digital iniciada no século passado e que será, ao lado da energia solar e da própria biotecnologia, fatores determinantes do século que começa.

Chavez e a democracia Um dos pontos centrais da democracia é a existência de imprensa livre. A implacável perseguição que Chavez move a RCTV é uma demonstração de que preferiu o caminho ditatorial. Existem no arsenal leninista inúmeros argumentos, segundo os quais a verdadeira democracia pode e deve suprimir a imprensa burguesa, reservando canais e espaços públicos para as classes sociais oprimidas.

Quando você  vai um pouco mais fundo nesta argumentação, descobre que as classes sociais oprimidas são representadas por associações, por sua vez dirigidas pelos autores dos argumentos liberticidas. No Brasil, a imprensa não foi censurada. Mas o modelo que Chávez coloca em cena vai, fatalmente, desembocar no instrumento único de comunicação, como em Cuba.

No Brasil, já aconteceram várias tentativas de estabelecer o que se chama de controle social sobre os meios de comunicação. Até o momento, as tentativas fracassaram. Mas as teses surgem aos borbotões nas conferências patrocinadas pelo governo. Pode ser até que reapareçam agora no Fórum Social Mundial. Mas a democracia mais ampla no setor não é feita de proibições e confiscos nem nos dada por teóricos de esquerda. A democracia nos meios de comunicação se ampliou com o desenvolvimento da tecnologia, com a revolução digital iniciada no século passado e que será, ao lado da energia solar e da própria biotecnologia, fatores determinantes do século que começa.

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Honduras em transe

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A chapa está fervendo em Honduras. O presidente Manuel Zelaya teria sido preso. Zelaya foi eleito pela direita e agora quer se aproximar da esquerda, com um projeto parecido com o de Chávez. Nesse momento, parece que apenas grupos rivais aparecem nas ruas de Tegucigalpa, sem incidentes sérios. Chávez pediu a intervenção de Obama para salvar seu aliado. O Brasil terá de entrar nessa dança.

Estamos acompanhando o que se passa, através dos informes dos jornais hondurenhos. El Heraldo, conservador, considera que a partida está chegando ao final e que Zelaya não respeitou a Constituição, partindo para o modelo de consultas populares, como Chávez e Morales.

Foto: breve/Flickr/Creative Commons

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Operação na Colômbia

A operação para entrega dos três reféns da Farc, na Colômbia, fracassou. Desde o principio, havia elementos um pouco inverossímeis. O primeiro deles foi a aparição de Chavez, que desenhou uma enorme seta, de onde partiriam os helicópteros, indicando mais ou menos a área, com relativa antecipação.

Logo em seguida, as notícias da Venezuela indicavam que as Farc mandariam as coordenadas por rádio, para que os helicópteros se orientassem. Chavez pode acreditar que a Colômbia não tem os recursos técnicos para rastrear esses sinais. Mas os norte-americanos têm, e ele deveria saber disso.

A maneira, portanto, que a operação foi anunciada, pressupunha que o Presidente Uribe não iria reprimir o processo, pois seria muito grande seu desgaste político.

Até aí, tudo bem. Ele não iria intervir, mas tinha todas as condições para chegar junto com os helicópteros ou, pelo menos, inspecionar a região, tornando a retirada dos guerrilheiros muito insegura.

As Farc devem ter constatado isto e cancelaram a operação. O interessante é que não tenham previsto esse cenário, nem Chavez, nem as Farc. A organização do espetáculo acabou explodindo a cena.

Chavez, que buscava um fato para atenuar o desgaste de suas derrotas, acabou deixando escapar uma chance, ao escolher um caminho cinematográfico para o que deveria ser um discreto e clandestino encontro na selva.

As famílias e reféns são submetidos a uma semana de angústia, voltam frustrados. Eles devem ser o centro de qualquer estratégia de troca. E não políticos e cineastas.

As Farc foram reduzidas a uma organização que detém reféns. Cada vez mais, a opinião pública internacional vai exigir a libertação de Ingrid Betancourt e todos os outros.

O Brasil deve contribuir. Mas o ideal não é enviar representantes pelo nível de proximidade com Chavez, como é o caso de Marco Aurélio Garcia. O Brasil deveria ser representado por diplomatas. Eles sabem que operações precisam ser discretas.

O problema é que o interlocutor das Farc é Chavez. Na verdade, as Farc não se manifestaram, diretamente, exceto para cancelar a operação. Mesmo assim, quem leu a carta foi Chavez, que também forneceu as informações anteriores.

É preciso tentar, sempre, até que essas 500 pessoas sejam libertadas. A carta de Ingrid Betancourt é de cortar o coração. O simples fato de não deixarem que ela leia no cativeiro mostra o nível de autoritarismo e insensibilidade de seus carcereiros. Imaginem o que seria o mundo, se eles vencessem.

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Venezuela deu a volta

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Diante da divulgação das cartas de Ingrid Betancourt, todos os países democráticos deveriam se mobilizar, inclusive o Brasil. As condições em que as Farc a mantêm são desumanas. No cativeiro, não teve a oportunidade sequer de ler um livro,algo que as ditaduras de direita permitem.

O sequestro é uma forma de luta abominável. No caso de Ingrid, que era apenas candidata pelo Partido Verde, torna-se mais absurdo ainda. O que as Farc pretendem com isto? O Brasil deveria emitir uma nota de protesto e condenação, associando-se aos que apóiam a libertação de Ingrid em todo o mundo.

Saiu o resultado do plebiscito em Caracas. Chavez perdeu. Isto é muito importante não só para a Venezuela mas também para a Bolívia, Equador e, em parte, Brasil. Essa disposição de esmagar os mecanismos democráticos, de instituir presidentes praticamente vitalícios, de introduzir um socialismo do século XXI que ninguém sabe o que é, sobretudo depois do fracasso retumbante do socialismo do século XX, são todos fatores de crise numa América Latina já conturbada.

A pesquisa da Folha de São Paulo, indicando que 65 por cento dos brasileiros ouvidos são contra um terceiro mandato de Lula foi também uma boa indicação. Antes mesmo do resultado venezuelano, Lula declarava que um terceiro mandato é absurdo. Já conhecia os dados brasileiros.

Viva a vitória da democracia na Venezuela. Mas Chavez tentará de novo. Seus aliados, Morales na Bolívia, Correa no Equador, prosseguem a marcha da insensatez, especialmente o primeiro que quer aprovar uma constituição solitariamente, sem respeitar os mecanismos que garantem o papel da oposição.

Aqui no Brasil, apesar da sessão aberta, os senadores preparam-se para absolver Renan. Faremos pressão, mas a capacidade diminui desde quando ele renunciou à presidência. Antes, tinha algo a haver conosco, pois era presidente do Congresso. Mesmo assim estaremos lá, dessa vez sem mandato judicial, pois eles mesmos decidiram criar vergonha na cara e abrir a sessão.

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Modelo chavista

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O trabalho do professor Normal Gall sobre a Venezuela será de muito valor nos debates que teremos de enfrentar. Gall não apenas se esforçou para descrever e analisar a situação daquele país, como colocou também em uso sua experiência de vida na Venezuela.

O resultado é muito bom. Quanto tempo vai durar o governo Chavez? É uma pergunta razoável considerando a instabilidade do país, seus índices de violência urbana e de pobreza.

Examinando a história veremos alguns elementos permanentes nos governos autoritários. Ditadores se serviram amplamente da imagem de Simon Bolívar. Governos malbarataram os recursos do petróleo investindo-os na compra de apoio interno e externo e numa malha de infra-estrutura que hoje está sucateada.

Chavez criou um fundo que recebe dinheiro direto do petróleo. E o aplica nas suas inúmeras misiones – obras educacionais, de assistência médica e habitação.

As pesquisas indicam que Chavez pode perder o referendo de dezembro. Gall acha que Chavez tem chance de vencer seus desafios a curto prazo. Também eu, imagino, que Chavez vencerá agora. As pesquisas e notícias de Caracas ainda refletem muito uma vontade de mudança, mas o movimento profundo talvez leve mais tempo.

Num dos comentários no blog, um missivista disse que era ridículo falar de modelo, diante do ímpeto de um simples tiranete. Acontece que a expressão modelo aqui significa algo abaixo da teoria, como mostra o cientista Frreem J. Dyson. Ele diz que o modelo é apenas uma tentativa de entender a realidade, de tornar mais operacional nossa intervenção.

O fato de estarem aplicando os mesmos passos na Venezuela, Bolívia e Equador e alguns desses passos constarem da proposta de militantes no Brasil, revela que há sim um modelo sendo colocado em pratica e tem características diferentes do passado.

Antes falava-se da tomada do poder pela violência; agora o caminho parece ser a vitória eleitoral, dissolução do Congresso, criação de uma Constituinte e constantes referenduns.

Espero, se for mesmo possível viajar ao Equador, demonstrar que existe um modelo tentando ser aplicado em alguns paises latino-americanos e que, para ser combatido, é preciso entendê-lo em todos os aspectos.

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