Uma eleição agitada

O período pré-eleitoral no Brasil, comparado ao norte-americano, nos faz sentir um pouco na Idade Média. Enquanto nos EUA os pré-candidatos percorrem o país, falam com eleitores, captam recursos e mobilizam seus eleitores, aqui quase tudo é proibido.

A decisão do TSE de permitir entrevistas de candidatos sobre seus planos foi um avanço, em relação ao quadro brasileiro. Mas o processo ainda nos deixa engessados.

A campanha começa no dia 6. Não podemos lançar panfletos no dia 6, nem captar recursos. Vamos depender de uma conta que só será aberta depois. O que adianta permitir o começo de campanha se não podemos lançar material?

Da mesma maneira, a batalha pela liberdade na internet foi intensa. O blog de Pedro Dória, por conter uma foto minha e a data 2008, foi notificado.

Aliás, a luta pela liberdade na internet foi feita um pouco nas sombras. Os jornais não se deram conta, exceto o JB, que a cobriu desde o início.

Foi um pouco como aquela fábula sobre o nazismo: pegam seu vizinho e você não reclama, sem saber que um dia virão pegar você. Os jornais só deram conta da legislação restritiva quando a Folha publicou a entrevista de Marta Suplicy. Era um pouco tarde. A pré-campanha se passou toda nessa luta. Daqui a pouco será dia 6. Eu mesmo tive de retirar do nosso portal a entrevista que concedi ao Le Monde Diplomatique, versão brasileira.

Foi uma pré-campanha nas sombras. Ela mexeu com minhas lembranças brasileiras. Aqui, a ditadura foi fácil, também, porque as pessoas têm medo de protestar. Raríssimos candidatos levantaram a voz. Não querem se indispor com juízes. Mas se não enfrentamos os juízes, quando necessário, afinal somos candidatos a quê?

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Obama salta na frente

OBAMA

Barak Obama? Que nome é esse? Parece Osama Bin Laden. Não foram poucas as vezes que o senador Barak Obama ouviu isto nas ruas, quando começou sua campanha. Mas também não foram poucas vezes que ouviu esta frase: a política só tem gente estranha, por que se meter nisto?

As histórias das eleições e dos anseios de Barak Obama estão contadas no livro Audácia da Esperança, lançado no Brasil pela editora Larousse.

Vale a pena conhecer esta nova figura da política norte-americana que começa, com sua vitória nas prévias, a ter também projeção internacional. Ele transmite decência em seus relatos, mostra como toma suas posições, como se relaciona com os eleitores, como vê o futuro dos EUA.

Quando digo novo na política, não quero dizer necessariamente marciano. Ele tem uma grande equipe de assessores, procura tomar posições que garantam uma aceitação majoritária e tem a vantagem de não romantizar as revoltas do passado, como as de 1968. Barak era menino naquela época e hoje tem condições de propor pontes entre conservadores e contracultura, buscando um denominador comum para fazer o país avançar.

Com a vitória parcial de Barak e sua aceitação pelos jovens, parece que todo um período da história americana entre em declínio e começa uma nova e interessante fase.

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Olhar para frente

A campanha presidencial acabou em sua fase de propaganda. Falta apenas votar, no domingo. Foi uma campanha muito criticada. Os adversários repetiram seus discursos, falaram do passado mas quase nada do futuro deixaram antever.

Agora é hora de olhar para a frente. Meio ambiente ficou esquecido na campanha? Vamos levantar os temas mais atuais e jogá-los no debate. A educação foi tratada de forma muito genérica? Foi. Mas há espaços na luta pela educação que podem ser explorados. Por exemplo, o uso da verba do FUST, um fundo dedicado a universalização das comunicações, para a inclusão digital. Um debate nacional sobre a melhoria do estudo cientifico, que não está, no país, à altura das nossas necessidades.

Enquanto todos se dedicam, justamente, neste momento a escolher seu candidato, é preciso dizer que, independente de quem for vitorioso, a luta continua. Ou melhor, recomeça num outro patamar.

Até amanhã.

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O enigma das ruas

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Embora o trabalho ainda não me permita a dedicação exclusiva à campanha, já tenho alguma experiência de rua, nesse 2006. Muita coisa mudou. As pessoas estão mais frias com a política, algumas indignadas. A panfletagem, único mecanismo para divulgar nome e número (acabaram, felizmente, os out-doors e a sujeira dos postes) ainda é dificil.

Muita gente recusa panfleto pois, realmente, nunca se lê nada interessante em panfletos distribuidos na rua. Além disso, agora as pessoas sabem que entre os panfletos que lhes tentam entregar diariamente, estão também os santinhos dos políticos.

É fundamental que as pessoas que panfletam tenham conhecimento dessas limitações. Quase ninguém gosta de panfletos. Esse número fica menor quando se trata de panfleto político.

Muita gente, no entanto, reconhece o trabalho de uma minoria de deputados no Congresso. O ideal é fazer saber à pessoa, antes que ela vire o rosto, que tipo de panfleto, ou principalmente, panfleto de quem você está oferecendo. A única coisa que temos a oferecer é nosso trabalho e nossas propostas. As pessoas entendem e aprovam.

Portanto, vamos à ruas com todo empenho, mas sabendo, com grande precisão, que tipo de ambiente é este das eleições de 2006.

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Por um novo Congresso

O Congresso brasileiro vive um momento difícil. A expressão momentânea dessa dificuldade foi a eleição de Severino Cavalcanti para a presidência da Câmara. Mas ela significa apenas o resultado de um processo de degradação, sob certos aspectos, estimulados pelo governo.

Basta dizer que o elo entre o governo e a Câmara nos primeiros meses foi Waldomiro Diniz, flagrado tentando obter dinheiro do banqueiro de bicho Carlinhos Cachoeira.

Nos dias que antecederam à eleição de Severino escrevi vários artigos denunciando o processo. Houve um desperdício de dinheiro, uma sujeira desnecessária na Câmara, exatamente como os políticos fazem nas campanhas de rua.

Há políticos que gastam milhões em campanha. Ninguém se pergunta como é possível, o que esperam de volta, depois de injetarem tanto dinheiro nas eleições. Poucos acompanham a trajetória dos seus eleitos, para saber se estão cumprindo suas promessas, ou, pelo menos, conhecer o que estão fazendo por lá.

Quando triunfam os fisiologistas (com apoio da oposição) as pessoas se dão conta da gravidade do processo. Tentaram aumentar salários, não conseguiram. Aumentaram a verba de gabinete, o que signfiica aumento do mesmo jeito. E outras coisas vão tentar fazer pois sua única intenção é melhorar de vida.

Aí está o grande problema. Muitos que se dedicam à política querem enriquecer. Não compreendem que são funcionários públicos e o máximo que podem aspirar é ter uma vida digna. Quem quiser enriquecer deve procurar a iniciativa privada, onde isto é possível, pelo menos para alguns.

O movimento que afirma hoje o luto pela farra no Congresso é positivo. Significa um despertar. Mas não pode ser apenas um espasmo. Se o aumento for cancelado, não tenham a ilusão de que tudo voltou ao normal.

A democracia brasileira só tem futuro se for participativa. É preciso acompanhar o trabalho do parlamento, criticar os eleitos, oferecer sugestões e preparar-se para tomar decisões por eles.

Isto quer dizer aumento de referendos e plebiscitos. Com o recurso ténico disponível hoje, é possivel consultar a população sobre questões sérias e obter um quadro de suas preferências. Decisões desse tipo aumentariam a democracia direta e, de certa forma, obrigariam os parlamentares a abrir mão de um poder que deve pertencer ao povo.

Tanto a fiscalização do Congresso como o aumento da democracia direta são fatores que podem melhorar o Brasil. Esperamos que o movimento de protesto lançado na rede não se esgote nesse episódio. Há um longo caminho pela frente. Uma encruzilhada importante nesse caminho são as eleições do ano que vem. Chegou a hora de escolher melhor seu deputado/a.

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A volta do Circo Voador

Cumprindo uma promessa da campanha de 2000, o prefeito César Maia entregou hoje à produtora Maria Juçá, as chaves do novo Circo Voador, reconstruido depois de um concurso público de projetos arquitetônicos.

Um pouco menor que o velho circo, a capacidade atual é de 2000 pessoas, o Circo Voador tem uma construção moderna, muita mais segura e além disso com capacidade de neutralizar o som das bandas mais pesadas.

Um dos pontos centrais no acordo que fizemos – Alfredo Sirkis, César Maia e eu – foi o de garantir a tranquilidade dos vizinhos, através de tratamento acústico adequado.

Na entrega das chaves, um coral de meninas da Maré fez um pequeno show, antecipando a grande abertura do dia 22, onde, aí sim, haverá o show inaugural para o público.

Com isto, encerramos nosso trabalho no caso que consistiu num acordo com César Maia, fechado na churrascaria Marius, em Copcabana, através do qual uma das condições para que o apoiassemos seria a reconstrução do Circo.

Os roqueiros cariocas já tem de novo um ponto de referência. Novos grupos podem entrar em cena. Parabéns César Maia por cumprir sua promessa, a Alfredo Sirkis pela obra e à Maria Juçá pela sua combatividade e perserverança. O Circo Voador está de novo na praça.

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