27.06.2008
O período pré-eleitoral no Brasil, comparado ao norte-americano, nos faz sentir um pouco na Idade Média. Enquanto nos EUA os pré-candidatos percorrem o país, falam com eleitores, captam recursos e mobilizam seus eleitores, aqui quase tudo é proibido.
A decisão do TSE de permitir entrevistas de candidatos sobre seus planos foi um avanço, em relação ao quadro brasileiro. Mas o processo ainda nos deixa engessados.
A campanha começa no dia 6. Não podemos lançar panfletos no dia 6, nem captar recursos. Vamos depender de uma conta que só será aberta depois. O que adianta permitir o começo de campanha se não podemos lançar material?
Da mesma maneira, a batalha pela liberdade na internet foi intensa. O blog de Pedro Dória, por conter uma foto minha e a data 2008, foi notificado.
Aliás, a luta pela liberdade na internet foi feita um pouco nas sombras. Os jornais não se deram conta, exceto o JB, que a cobriu desde o início.
Foi um pouco como aquela fábula sobre o nazismo: pegam seu vizinho e você não reclama, sem saber que um dia virão pegar você. Os jornais só deram conta da legislação restritiva quando a Folha publicou a entrevista de Marta Suplicy. Era um pouco tarde. A pré-campanha se passou toda nessa luta. Daqui a pouco será dia 6. Eu mesmo tive de retirar do nosso portal a entrevista que concedi ao Le Monde Diplomatique, versão brasileira.
Foi uma pré-campanha nas sombras. Ela mexeu com minhas lembranças brasileiras. Aqui, a ditadura foi fácil, também, porque as pessoas têm medo de protestar. Raríssimos candidatos levantaram a voz. Não querem se indispor com juízes. Mas se não enfrentamos os juízes, quando necessário, afinal somos candidatos a quê?










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