
As luzes de 2009 se apagam aqui na Câmara.
Não creio que o projeto do pré-sal também seja votado no plenário. Isto quer dizer que o ano acabou. Já começamos a trabalhar uma retrospectiva para prestação de contas do trabalho.
Algumas idéias chaves para o ano que vem estão guardadas. Hoje conversei com o Greenpeace sobre o projeto de criação de uma comissão de oceanos. Eles também estão trabalhando com o tema. Não sabiam que foi aprovado o projeto das Cagarras. Mesmo a imprensa carioca ignorou. O que fazer?
Há outra preocupação estratégica no ano que vem: estruturar uma defesa civil à altura dos problemas que enfrentaremos com o aquecimento global.
Continuamos seguindo o que se passa em Copenhague. As informações são contraditórias. Variam da esperança ao otimismo num prazo muito curto. Conferencias desse tipo, só podendo decidir, dentro da delegação do governo. Fora disso, há casos especiais. Horas no frio para receber uma credencial para entrar num espaço onde não se decide nada, só se observam as decisões.
São grandes as chances do REED ser aprovado. Haverá dinheiro para preservar florestas. Pelo menos isto sairá da Conferencia.Bom para o Brasil.
Estou viajando amanhã para o Rio e continuaremos nosso trabalho, aqui na página, mesmo no recesso. Aliás é no recesso que se pode produzir mais.

Não tenho condições de intervir, diretamente, na crise do Senado. O foco agora é Sarney. Interagimos em vários momentos históricos. Fui detido algumas horas, no seu governo, porque exibi o filme que ele proibiu, Je Vous Salue Marie. Fizemos o mesmo projeto de garantia de coquetel gratuito para portadores de HIV. Gostamos de ler e escrever. Sempre houve cordialidade entre nós.
Difícil entender como ainda não percebeu que a renúncia é melhor coisa para ele. Nem porque alguém tão preocupado com o ritual da presidência seja tão alheio à cerimônia do adeus, um ajuste de contas com a biografia, na fase final da existência. Não o considero o único responsável pela crise do senado; sua saída é apenas uma condição. Se a reforma sair como se deseja, poderá argumentar que seu gesto contribuiu para ela. Se não sair, poderá afirmar que foi um equívoco concentrar nele tanta expectativa.
Não adianta prosseguir como um fósforo frio. Essa etapa está decidida. Depois das punições, a fase crucial será vivida adiante: austeridade. Com tantos funcionários, será preciso coragem para demitir. Mesmo se o país tiver que pagar para cumprir essa decisão, compensa estancar o desperdício, que se manifesta também na miríade de gratificações.
A denúncia do escândalo das passagens no Congresso representou um grande avanço. Milhões de reais foram economizados, quando se adotaram novas regras. É a face material da luta pela transparência: otimizar o dinheiro público.
O Senado e a Câmara, num nível menor, revelaram-se para a sociedade como duas instituições perdulárias. O preço é a perda da credibilidade, em seguida, a perda total do respeito. Como é possível aceitar este caminho, fazer da política uma vergonhosa atividade humana?

Lula diz que o CPMF é importante para a sociedade e não para o governo. Mas a série de reportagens publicada pelo Globo sobre gastos oficiais mostra com clareza a quem interessa a CPMF.
Os três poderes foram escrutinados pelos repórteres, sendo que os gastos excessivos destacados são apenas os mais gritantes. No Parlamento, por exemplo, há pequenas irracionalidades que custam muito. Duas televisões, duas equipes diferentes e menos de um quilômetro de distancia, uma para o Senado outra para a Câmara; gastos com selos anuais e permanentes, apesar de terem sido instalado cinco computadores em cada gabinete.
A série de reportagens do Globo destaca apenas os aspectos gritantes. É possível, ao lado disso, examinar a burocratização e descobrir um novo processo de economia.
Isto significa que redução de gastos é coisa da direita reacionária? Se os gastos reduzidos com inteligência fossem reaplicados, parcialmente, no bem estar da população as coisas ficariam bem melhores.
Nenhum governo topou essa parada. Teria de enfrentar os burocratas do executivo, o parlamento e o próprio judiciário. Mas sem isso, a discussão em torno dos gastos do governo serão sempre vagas. É possível economizar, destinar boa parte para o bem estar dos mais necessitados, e liberar a economia de alguns pesos, para que possa crescer mais rápido.
Esse é dos temas mais difíceis porque coloca de um lado o poder burocrático instalado em Brasília, de outro uma população que desconhece como o dinheiro é gasto. A transparência, nesse caso, vai ajudar a mudança.
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