01.12.2009

Apesar do frio, Paris está bonita e eis aí algumas idéias que estou defendendo aqui. Estão sintetizadas:
1. o aquecimento global pela sua gravidade e urgência coloca, pela primeira vez, a possibilidade de a história humana se tornar uma aventura comum, na qual a colaboração supera a contradição;
2. Não será um processo linear. Exemplos: na medida em que o aquecimento se dá e a neve no Ártico começa a derreter, o que era consenso sobre a a administração da área começa a ser questionado pela Rússia. Nesse caso, o aquecimento divide. Da mesma forma, o strees hídrico em Dafur é uma das causas de uma guerra fratricida;
3. O trabalho de redução de emissões e adaptação ao aquecimento global depende de iniciativas multilaterais. A Europa está numa posição privilegiada, neste campo, pois sua experiência é o que há de mais avançado no mundo, em multilaterismo, sobrepondo-se a visões estreitas de soberania nacional;
4. A iniciativa multilateral não deve inibir iniciativas regionais ou acordos bilaterais. Ao contrário de Lula e o presidente francês, vejo como positivo o entendimento entre EUA e China. É melhor do que se estivessem competindo por recursos naturais. Também vejo como positivo entendimentos regionais na Amazônia. Mas o entendimento entre países da Amazônia é basicamente diplomático. Brasil e França tentaram um caminho midiático, daí o fracasso. É necessário criar cargos de embaixadores para aquecimento global e oferecer aos países amazônicos as informações que podem ser colhidas pelo SIVAM. Um serviço comum poderá ser o primeiro passo na união;
5. É necessário, dentro do espírito de responsabilidade diferenciada, que os países mais ricos invistam na mitigação do aquecimento global nos países mais pobres. Haiti e Somália, por exemplo, quase não emitem CO2. Precisam de ajuda para crescer e esta ajuda poderia ser, desde agora, voltada para o desenvolvimento sustentável;
6. É necessário uma flexibilidade maior no manejo das patentes, pois a transferência tecnológica desempenhará um grande papel. No caso da Amazônia, podemos financiar por algum tempo, dez anos digamos, a floresta em pé. Mas com o tempo, será preciso que a floresta encontre seu caminho econômico. Isto poderá ser feito com a ajuda da ciência e da tecnologia;
7. Não importa quanto reduzimos em CO2 e o aquecimento virá de qualquer maneira, embora num nível menor. A escala de tempo desses processos e também a retroação no clima indicam que é tarde demais para evitar que não tenhamos mais dois graus no aumento da temperatura média;
8. O Brasil decidiu lançar metas voluntárias. É preciso saber como alcançá-las e como financiá-las. Metas para 2020 às vésperas de uma eleição deixam as pessoas inseguras. É preciso que se transformem em lei;
9. O caminho para uma sociedade de baixo carbono não dever ser palmilhado pelo medo das consequências do aquecimento e sim pela divulgação das vantagens de uma nova vida. Acabo de ler um livro de Antony Guiddens sobre política de aquecimento global e ele tem uma intuição genial sobre o tema. Se Martin Luther King fizesse um discurso dizendo que tinha um pesadelo, ao invés de um sonho, a repercussão de suas palavras seria bem menor;
Há outros temas em discussão, mas estou em pleno trabalho. Na medida do possível, vou dando o balanço.
Abraços












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