14.12.2009

O Brasil apresentou suas metas de redução de emissões. Foi ótimo que assim o fizesse.
Afirmou que as metas não eram voluntárias. Isto enfraquece a proposta. Falta um ano para as eleições presidenciais. Como é um governo pode assumir um compromisso até 2020, se outros governos virão? A saída é transformar a proposta em lei. O próprio governo admitiu isto.
Ao mesmo tempo em que faz sua proposta, o governo aposta na contradição norte-sul e faz carga contra o suspeito de sempre, nesse tipo de debate, os EUA. Uma das teses que levei comigo nestes debates na França é de que, dada a natureza do problema ambiental, não seria a contradição e sim a cooperação o dínamo dessa nova história.
O governo se recusa a participar de um fundo ambiental. Argumenta que somos pobres. No entanto, o Brasil, diante do Haiti e Somália, por exemplo, é um país desenvolvido. Além do mais, mesmo se contribuirmos, acabaremos ganhando mais recursos porque a Amazônia de pé, interessa a todos. Já recebemos dinheiro da Noruega e este programa foi, inclusive, elogiado por Barack Obama.
Ao mesmo tempo em que faz uma proposta mais audaciosa em Copenhague, o governo brasileiro toma uma série de medidas contraditórias. Uma delas (ver artigo da Marina na Folha de São Paulo de hoje: http://tinyurl.com/ya4q4kh) foi a suspensão de multas para desmatadores. Outra muito grave foi uma redução do prazo para isentar impostos na energia eólica. O governo faz isso na véspera de um leilão que atraiu mais de 10 mil MW em projetos.
Outros indícios são muito sérios. O BNDES financiando usinas elétrica a carvão, a decisão de usar aço em casas populares, sem que o programa tenha examinado as alternativas mais sustentáveis. Enfim, tudo indica que a proposta do governo foi muito pouco pensada para o meio ambiente. Foi apenas uma plataforma para exercitar na Dinamarca o seu esporte predileto: o exercício da contradição, a critica aos EUA.
São reflexos que se entendem mais pelo passado. A natureza da questãoa ambiental, a ameaça à nossa sobrevivência no planeta, permitem que , pela primeira vez, a humanidade viva sua história como uma aventura comum. Isto não significa ignorar as diferenças, mas tratá-las como algo subordinado ao objetivo maior: um nível de articulação mundial e ações apropriadas em cada país.
Copenhague coloca um problema do século XXI e o governo está tentando respondê-lo com uma ótica do século XX. Vamos ver como todo esse drama se desdobra ao longo da semana. Como sempre, na reação ao aquecimento global, o tempo corre contra.









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