Triste dia na Lagoa

Foi triste caminhar pela Lagoa na manhã de sábado. O cheiro insuportável e superfície da água coalhada prateadas e brilhantes, 35 toneladas de peixe sendo recolhidas gradativamente pela Prefeitura.

Ainda há dúvidas sobre a causa. Fala-se em mudança brusca de temperatura, em proliferação de algas e até de despejo de esgotos. De fato, houve uma súbita proliferação de algas. Mas o monitoramento deveria ter previsto esse processo. Às vezes nunca se pode evitar mas é possível fazer alguma coisa para atenuar o impacto do desastre ambiental.

A Lagoa estava em processo de recuperação. Um barco limpeza percorre suas águas. Mas até que ponto, estamos nos dotando dos instrumentos exatos para monitorar e prever? Esta questão fica em aberto e seria interessante respondê-la bem antes da Olimpíadas. A área da Lagoa diante do Estádio de Remo foi atingida. Numa semana como esta, dificilmente poderia haver algum tipo de competição. Seria devastador para o espírito olímpico.

É preciso avaliar os instrumentos disponíveis e ver o que é preciso mais para que certas mudanças sejam acompanhadas de muito perto e o sinal amarelo aceso no momento exato. A Lagoa melhorou mas há muito o que fazer ainda. As manchas prateadas com centenas de peixes mortos, o cheiro que dominou toda a orla são um clamor por avanços no tratamento da Lagoa.

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Maranhão revisitado

Fiz uma curta viagem ao Maranhão. Havia muito trabalho, pouco tempo e sempre um grupo de repórteres locais em torno. Levei uma pequena câmera para registrar o essencial.

Não tenho intenção de estetizar uma enchente. Apenas fui tirando algumas fotos, um pouco como caderno de notas, sem saber muito bem o que fazer com elas.

Na entrada de Trizidela do Vale, vi uma menina mergulhando de maiô no rio Mearim. Talvez ela tenha me sugerido isto: uma vez que as águas estão aqui, vamos tirar algum proveito delas. E uma vez que estava, procurei viver a viagem em todas as dimensões que o tempo e as circunstâncias permitiam.

Revendo as fotos, percebo que Trizidela do Vale tinha mais cores do que imaginava. No momento em que se fala em dia de luto pelo meio ambiente, é bom lembrar que a cidade mais atingida pelas cheias, trabalhava para se recompor e, simultaneamente, celebrava a vida.

As lembranças visuais do Maranhão podem ser consideradas como um parêntesis no trabalho que vai prosseguir daqui a três semanas no Vale do Mearim.

Ficam como o primeiro contato do panorama com um passageiro apressado, tomando notas e gravando imagens, para desenvolvê-las no futuro.

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No Maranhão, esperando a chuva

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SÃO LUIS – Cheguei à capital no princípio da tarde. Passei as primeiras horas discutindo com as equipes que trabalham com o efeito das chuvas em 106 cidades do Maranhão. Viajo na primeira hora de amanhã para o interior. Estou preocupado com as previsões. Pode chover mais nos próximos dias, pois há uma convergência de nuvens como que estacionadas na região.

Já morreram 13 pessoas. Cerca de 88 mil desalojados sobretudo no Vale do Mearim. Quase todas as bacias sofreram com destaque para o Mearim e Itapecuru. O estado tem dificuldades em abordar estes problemas. Nas cidades não há defesa civil instalada. O governo está se instalando, pois caiu o governo antigo, por força de decisão judicial.

O governo federal promete 120 milhões. No ano passado houve enchentes e um movimento para construir 1167 casas. Não saiu nenhuma. O problema é que a burocracia é grande e os prefeitos não estão acostumados a preencher os formulários necessários. Muitas prefeituras não pagam INSS.

Vou percorrer os principais abrigos. O setor de saúde está preocupado com focos de malária. Houve três casos de leptospirose. A dengue, que foi maior no ano passado, está declinando em 2009. A governadora Roseana Sarney parte para uma operação em São Paulo. Viajarei com alguns deputados daqui e um técnico do INPE. Assim que as águas baixarem, vamos ver o que é possível fazer para evitar o caos maior. Mas vamos também ver o que é possível fazer no futuro.

Quando voltar da viagem, no começo da noite, relato o que vi. Por enquanto, fiquei em São Luis, onde há nuvens escuras e gente esperando chuva, como a que caiu ontem, inundando os principais bairros da capital. Até mais tarde.

O problema central, além de arrancar o dinheiro do governo, vai ser utilizá-lo com inteligência. Nem governo estadual nem prefeituras têm condições de fazer isto. Era preciso encontrar uma entidade para administrá-lo. Um pouco como o que acontece com hospitais. Às vezes, é preciso uma outra entidade para administrá-los.

O Maranhão tem metade do orçamento da cidade do Rio, cerca de 5 bilhões. No principio do ano, tinha um bilhão em caixa. Com a saída do governo antigo, o dinheiro evaporou, ficando apenas 306 milhões. As despesas de pessoal subiram de 143 milhões para 293 milhões. Despesas crescentes, queda de seis por cento na arrecadação, o panorama, a curto prazo, não é dos melhores. Hoje à noite, vou me encontrar com prefeitos das áreas atingidas que também andam por aqui. Mas é amanhã mesmo que a viagem começa.

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Até breve, Amazônia

Manaus – O início da semana nos empurra para Brasilia, ainda cheio de dúvidas sobre a seca na Amazônia. Cerca de 32 mil famílias estão isoladas e com os escassos recursos disponíveis será um desafio atendê-las adequadamente.

Essa dúvida pode ser sanada a curto prazo. Caso não se consiga avançar é sempre possível pressionar o governo. Mas uma outra, que diz respeito a causa da grande seca, esta vai perdurar por algum tempo.

Velhos políticos locais como Gilberto Mestrinho e também alguns pesquisadores do INPA acham que estamos diante de uma crise cíclica, apenas uma repetição de um fenômeno natural.

De fato, a natureza tem seus ciclos e ela nos serve até de base para entendermos a passagem do tempo. As quatro estações por exemplo, são de um rigor indiscutível.

A sucessão das mudanças na natureza com sua regularidade tentou muita gente a transplantar essa mecânica para a história das relações entre os seres humanos. Um grande erro. A história humana é cheia de sobressaltos e obedece a leis diferentes da história natural.

Acontece que a história humana e a natural não correm em leitos diferentes. Cada vez mais a intervenção dos povos vai alterando o comportamento da natureza a ponto de dizermos que a natureza como tal não existe, porque foi humanizada e transformada pela ação humana.

Dito isto, insisto que precisamos investigar até que ponto as águas do Atlântico esquentarem e até que ponto este aquecimento, reconhecido pela Nasa, influenciou no regime dos ventos. A série de furacões pode ter sido influenciada por esse aquecimento.

Se houve mudança nos ventos, como um ribereirinho nos disse ontem (o vento está soprando ao contrário, doutor) esta mudança influenciou a seca na Amazônia.

Usei o domingo para navegar pelo rio Negro, despedindo-me, provisoriamente da região. Percebi que os hotéis na floresta próxima a Manaus, estão trabalhando com 25 por cento de sua capacidade. Uma longa passarela de madeira foi construída para que os hospedes pudessem chegar aos portos. A lama coberta de pegadas mostra que as pessoas caminham por ali, no momento.

As lanchas não conseguem atracar. É preciso o transbordo para canoas mais leves e perto do momento de atracar são puxadas por marujos com água até a metade da perna.

Embora seja um rio exuberante, a nevegação no Negro ficou complicada. Bancos de areia e pedras são ameaçadores sobretudo para quem não está habituado a percorrer o rio.

Ainda não foi dado o balanço dos dramas humanos provocados pela seca. Os jornais daqui falam de mulheres que perderam o filho, por falta de cesariana, do desaparecimento dos peixes, do aumento de 250 por cento na farinha de mandioca, que depende de água na sua confecção.

O que mais preocupa no momento é a qualidade da pouca água armazenada em poços improvisados. A palavra de ordem deveria ser cloro para todos.

Os ribeirinhos nos pediram anistia para sua falta no referendo. Viajo para Brasília também com esta missão. Pedir ao STE que dispense de votação todos os moradores das áreas onde foi decretada emergência. Não têm condições de andar dias apenas para votar sim ou não.

Passada a primeira fase, da inspeção do esquema de solidariedade, resta o estudo do fenômeno. Ficou muito claro também que há chances de nos preparamos mais. Sobretudo no campo das comunicações. O rio pode secar mas todos , teoricamente, poderiam ter seus telefones. Basta o Brasil conseguir levar adiante seu programa de satélites estacionários.

Isto não salvará a Amazônia. Mas técnicamente seria possível de falar de qualquer ponto da floresta. Ainda faltam 40 dias para as chuvas regulares. É o tempo de pressionar. Quando sentirem que tudo voltou ao normal, a tendência é esquecer as mutações climáticas, no ritmo de olvido do próprio Bush. Nossa única chance é a de que Deus diga alguma coisa a ele.

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Onde pesa a barra do desastre ambiental

São João da Barra – Aqui o Rio Paraiba se encontra com o mar. Aqui se segura a barra dessa catátrofe ambiental. Vimos boi e cavalo mortos, tartaguras dando na praia e, o que mais comove, cardumes tentando se salvar da asfixia , suicidando-se na areia.

Foram 1 milhão e duzentos mil metros cúbicos, viajando 180 quilômetros. Agora elas se alojam nos manguezais e formam uma mancha que se estende 5 quiômetros oceano adentro. As praias de São João da Barra foram interditadas. A espuma amarelada se acumula e ouvi uma descrição assim: a espuma não deixa que se ouçam o barulho das ondas.

São João da Barra está sem água e seus dois mil pescadores sem trabalho. Mesmo os que pescam no oceano dificlmente conseguirão provar que seu peixe escapou ao desastre. Lá em Minas, soube que os governos ainda decidem de quem é culpa, que providências tomar. Aqui, o oceano devolve a espuma na foz do Paraiba. Veneno vai, veneno vem, como um sinistro ioiô.

Aqui foi possível planejar alguma coisa: cadastrar pescadores para ajuda social, racionalizar o uso de carros pipas, fiscalizar a pesca. Mas ainda estamos na idade da pedra quando o assunto é reação a catástrofes.

Bate-se muita cabeça. Quis formular um pequeno trabalho para salvar os manguezais. Mas não havia análises do material que envenenou o Rio. Pedi laudos e assim que os recebi coloquei no site. É preciso transparência, embora ache que muitas perguntas continuam no ar.

Será que a empresa usava a técnica craft de embranquecer a polpa? Nesse caso, o veneno vem cheio de organoclorados, dixoninas altamente cancerígenas. O Ibama de Minas diz que não, que há somente o licor negro utilizado para transfomar a madeira em celulose. Mas esse Ibama de Minas foi um pouco lento no manejo da crise.

Sinto saudades da Petrobrás. Sala de crise, boletins horários, contatos internacionais. O governo de um modo geral é muito pobre, não consegue dar a mesma resposta de uma grande empresa.

Vão dizer que sou neoliberal. Que se fodam. Querem continuar apitando impedimento ideológico na margem do campo. Mas o jogo mesmo é feito por quem está aberto à realidade, mudando a todo instante para se adaptar a ela.

Como gerir a falta d´agua numa área que atinge 700 mil pessoas? Como organizar um mecanismo de informação para impedir que as pessoas morram envenenadas e impeçam seus bichos de morrerem também? Como fazer frente a um desastre usando o conehecimento intenacional?

Só depois de uma semana, obtive os laudos sobre o material que vazou em Cataguazes. Todos os parceiros internacioanais diziam: como podemos colaborar se ignoramos a substância que contaminou o Rio? Ontem, recebi, finalmente, três laudos. A primeira coisa que nos ocorreu foi disponibilizá-los na internet.

Aliás, cada desastre colocado na internet ganha uma chance maior de solução. Econtramos empresas americans que monitaram catatrofes em fluxo dágua em tempo real. Mas custam caro.

Mas é possível descobrir novas técnicas, combinar experiências, aprender. Uma coisa é certa: as pessoas ganharam consciência ambiental e perceberam como um rio é importante em suas vidas.

Um pescador de São João disse para a tevê que vivia no céu que, de repente, se transformou num inferno. Outro disse que o que trazia vida, trouxe morte. Essa tomada de consiência é ampla. Muitas cidades descobriram como são dependentes do rio Paraiba e se perguntam se não seria interessante construir uma alternativa. É o caso de Campos com 500 mil habitantes. A cidade recebe royalties do petróleo e os usa para financiar times de volei e basquete. Ocupa um espaço nacional nesses esportes. Mas não construíra uma alternativa para garantir esse recurso que, quando jornalista no interior, chamávamos de precioso líquido.

Certamente, financiar o esporte dá mais votos. Um grupo de deputados andou por aqui. Queriam prender os donos da empresa de Cataguazes. Isso daria uma certa emoção no Jornal Nacional. Mas não resolveria os problemas concretos. Num desastre, aprendi, há bombeiros e policiais. Os policiais querem saber de quem é a culpa; os bombeiros querem salvar quem está a perigo.

A empresa de Cataguazes produziu uma tragédia ecológica muitas vezes superior à sua capacidade de indenizar. O ideal agora é concentrar na solução dos problemas. Um dos mais importantes é fazer com que as águas envenenadas não fiquem sendo devolvidas pela maré como um ioiô que vai e vem.

Quando se decidiu pela abertura das comportas dos reservatórios de Minas, a idéia era aumentar e apressar o fluxo para que a longa mancha de veneno se perdesse no mar. Mas essas coisas têm de ser feitas na maré baixa. Ninguém quis saber, na hora do sufoco, qual era a tábua das marés.

Agora será preciso resolver essa parada, reabrindo reservatórios na maré baixa. Há muitos outros problemas a serem equacionados. Falei com o Moscatelli sobre os manguezais que foram atingidos. Ele poderá nos ajudar mas trabalha com outro desastre ambiental, o da Ingá Metais em Sepetiba.

É outro desastre que não teve muito ibope. Apesar da estupidez dos empresários e da grande margem de imcompetência, o Paraiba vai sobreviver. As notícias que vêm da situação, no montante são animadoras. A água está ficando limpa. Soube também que muitos peixes se salvaram fugindo da onda envenenada e mergulhando nas do rio Murié.

Com os peixes que se salvaram e um mínimo de racionalidade, poderemos continuar. Até quando? Bem isso vai depender do risco Brasil, essa mistura de burrice, corrupção e incompetência que destrói um dos lugares mais bonitos do planeta.

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Viagem à maré negra na Espanha

La Coruña – Durante 72 horas, com um grupo de técnicos da Petrobrás, percorri o cenário da tragédia ecológica na Galícia, onde o navio Prestige partiu ao meio e afundou com 77 mil toneladas de óleo. Pássaros mortos, pescadores e marisqueiros fora do trabalho, pequenas cidades turísticas atingidas pela maré negra e, no ar, a suspeita de que o pior está por vir: apenas 20 mil toneladas formaram a mancha de 100 quilômetros quadrados. As restantes 57 mil jazem a 3500 metros de profundidade, nas águas do Atlântico.

Depois de analisar como os europeus atuaram e as condições que levaram ao desastre do Prestige, restou uma grande pergunta: o que o Brasil precisa aprender com o episódio, para que melhore sua resposta em caso de acidente?

O desastre do Prestige mostra também o que fazer para evitar acidentes, mas isso, como o socorro pós tragédia, cada vez mais dependem de respostas globais, acima do alcance de um só país.

Para começar, o Brasil teria tomado a decisão certa no momento crucial em que o Prestige partiu-se ao meio?

O navio estava em grande dificuldade a quatro milhas e meia da costa. Havia duas alternativas: levá-lo para alto mar, em busca de águas mais tranquilas, ou trazê-lo para o porto e retirar sua carga com segurança.

Ouvindo técnicos portugueses e noruegueses, chegamos à conclusão de que os espanhóis fizeram a escolha errada, levando-o para alto mar. Mas, quem teria coragem de tomar a decisão certa, aproximando uma bomba relógio para desmontá-la no porto? Tanto na Espanha como no Brasil não há uma autoridade pré-determinada para cuidar desses temas. A primeira grande lição para os brasileiros é esta: quem decide em nome do Governo, quem tem a incumbência prévia de assumir os riscos?

O Prestige era um navio com bandeira de conveniência, outra grande anomalia global. Os petroleiros que atuam com esse tipo de bandeira, querem apenas comprar e vender óleo barato. Além disso, ele tinha um casco simples, com um desgaste de 15 por cento, segundo uma o relatório de seu conserto na China.

Nos Estados Unidos, os petroleiros navegam com casco duplo, de forma que um vazamento acaba caindo dentro do próprio navio. Até 2005, esta regra terá de ser cumprida por todos. A Europa quis ter um prazo mais flexível: 2015. O Brasil sequer examinou o projeto, que rola pela comissões do Congresso. Com o acidente do Prestige a Europa, pressionada pela Espanha, pode recuar o prazo para 2003.

Comparada como o Brasil, a Espanha ainda monta muito mal a sala de crise para gerir um desastre de grande dimensão. Não só a capacidade de reunir voluntários, mas também a técnica de limpeza de praias, assim como rebocadores, barcos antipoluição, tudo isso deixa a desejar

No entanto, não é correto pedir que a Espanha gaste US$ 1 bilhão para fazer isto, sem produzir petróleo. A costa da Galícia é o caminho para 70 por cento da frota européia transportando óleo. Seis mil pescadores dependem das suas águas limpas. Só uma solução global poderia atacar o problema. No mínimo a Comunidade Européia deveria bancar a despesa.

Portugal, Espanha e França mostraram um bom nível de coordenação. Dois aviões franceses voaram diariamente, localizando a mancha. Portugal lançou boias à deriva para que emitissem informações sobre o rumo possível da poluição. Empresas européias, especializadas em acidentes com agues, mandaram especialistas.

No Mercosul competirá ao Brasil iniciar contatos e convênios para que todos saibam o que fazer em caso de acidente. A estrutura da Petrobrás, que custou R$1,8 bilhão é a maior que existe por aqui. Em qualquer hipótese, terá de ser acionada.

Outra importante lição, agora que empresas estrangeiras atuam no Brasil. A Shell, por exemplo, acaba de descobrir petróleo no Espírito Santo. Pelas leis noruguesas, só pode explorar petróleo quem tiver condições de enfrentar um desastre. Como fica muito caro e inútil cada uma das empresas montar uma estrutura, o ideal seria formarem um clube, no qual teriam direito ao uso do esquema da Petrobrás.

Tudo isso é o dever de casa que trazemos da costa da Galícia, onde 136 praias, algumas delas maravilhosas, foram atingidas pelo desastre. Aves marinhas, como o arua e a perdela balear, ambos em extinção, foram duramente atingidos. Nos hospitais improvisados de Pontevedra e Oleiros cerca de 450 aves estão sendo descontaminadas, sendo que umas 40 já foram encontradas mortas, uma delas pela nossa equipe.

Voltamos com muito dever de casa e uma camada de óleo em nossas botas que dificilmente conseguiremos limpar nos próximos dias. Vivemos intensamente, no domingo, o drama de Muxia, uma cidade costeira atingida por ondas de até quatro metros, carregadas de óleo. As imagens de lá, valem pelas palavras.

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E vamos nós, para mais uma campanha

A partir deste fim de semana, vamos dizer todos os dias o que estamos fazendo na pré-campanha eleitoral de 2002. Sou candidato a um novo mandato e sei como é difícil o processo que está começando. Se o instrumento fosse apenas a internet, estaria tranquilo. Mas a internet atinge apenas 10 por cento dos lares brasileiros . Será preciso andar muito, falar muito para compensar a falta de outros veículos mais poderosos como a televisão, os caríssimos outdoors.

Nunca foi fácil. Mas aprendemos a conviver com as dificuldades e até a gostar delas porque nos colocam, pessoalmente, em contato com um grande número de pessoas, em muitos pontos diferentes do estado.

Preciso da ajuda de todos. Como terei apenas alguns segundos de tevê, a principal maneira de me ajudar e dizer para os amigos que sou candidato a deputado federal. Se for possível dizer que sou um bom candidato a deputado federal, então será maravilhoso.

Onde estão os argumentos para fundamentar esta tese de que sou um bom candidato? Basicamente nesta página, onde há uma síntese do meu trabalho. Além disso, já lancei um livrinho sobre minha intervenção no campo da energia, intitulado “Deixe o sol entrar”, propondo a matriz solar em todas as suas modalidades, como o complemento ideal para as hidroelétricas.

Esta semana, estou lançando “O Mandato das Águas”, síntese das minhas propostas no campo de recursos hídricos. Tanto o livrinho sobre energia como o da água podem ser enviados pelo correio para quem se interessar.

Além disso, produzimos um pequeno folder intitulado “pra que serve um deputado”. Nele há uma síntese dos principais projetos apresentados, nos vários campos de atuação, sobretudo, meio ambiente, direitos humanos e relações exteriores.

Quem vota para deputado federal, no meu caso são eleitores do Rio de Janeiro. Mas os amigos estão em todo o Brasil, muitos no exterior. Caso conheçam alguém que vote no Rio de Janeiro, poderão escrever uma cartinha, um e-mail, ou lembrar, por telefone, que sou candidato e preciso do voto para continuar o trabalho por mais quatro anos.

Caso o amigo que vive no Rio não tenha objeção, poderemos mandar pelo correio todo o material para que analise, com tranquilidade, se merecemos ou não o seu voto.

Aqui na página, a campanha será bastante aberta. Mesmo algumas idéias de cartazes, que irão, não para sujar a rua, mas para lugares onde podem ser mostrados, gostaríamos da participação dos internautas, propondo alternativas e pedindo que escolham a melhor.

Estamos preparando também um espaço especial na própria página que cuidará apenas da campanha, com a agenda, notícias, e um forum para colher idéias. Experimentalmente, vamos colocá-lo no ar o mais breve possível, só para recolher opiniões dos internautas. Em seguida, quando a campanha for legal, isto é depois da Copa do Mundo, vamos lançá-lo em definitivo.

Isto, portanto, é apenas um começo de conversa. Quem acompanhá-la a partir de hoje, vai conhecer como é uma campanha do princícipio até o fim, isto é, até o momento em que as urnas se abrem com o resultado.

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