
A decisão de Lula de comprar os caças franceses Rafale foi muito discutida, depois de anunciada por ele, na visita de Sarkozy ao Brasil. De todas as críticas que li, a mais interessante foi a de um oficial da Aeronautica, cujo texto me foi enviado por amigos.
Ele faz uma longa análise técnica dos três aviões disponíveis, partindo do princípio de que todos serviriam ao Brasil. Em seguida, mostra que numa pontuação rigorosa o sueco ficava em primeiro lugar, o norte-americano em segundo e, finalmente, em terceiro, longe, o caça francês.
Sua conclusão é interessante. O oficial compreende que a decisão seja política mas afirma, sensatamente, que isto justificaria , por exemplo, a escolha do segundo melhor pontuado. Mas escolher quem pontuou em terceiro, longe, não é pura e simplesmente uma escolha política prevalecendo sobre a técnica. É uma escolha que despreza a técnica e o longo e minucioso trabalho de teste e seleção feito pela Aeronáutica. É a política como antítese da técnica e não como sua visão aperfeiçoada pelo exame de conjunto.
Um tipo de escolha como esta abre caminho para muita desconfiança sobre as verdadeiras intenções do governo.

Há tanta desinformação nos jornais de hoje, que é preciso voltar à crise aérea. O governo deu a entender que a razão de todos os problemas são os controladores. Controlados pela aeronáutica tudo vai desaparecer. Deputados e senadores já saúdam o fim da crise, e como sempre, exaltam a sabedoria do presidente da República.
Os puxa-sacos desinformam mas há também equívocos dos repórteres. O Correio Braziliense afirma que os equipamentos de controle de vôo pertencem à Aeronáutica, como se a Aeronáutica fosse um país.
O próprio cálculo dos controladores internacionais de que o processo de passagem para o regime civil vai durar oito anos é um pouco precipitado.
Falei ontem com dois controladores e senti que o clima ainda é muito tenso. Não interessa um clima de tensão numa área tão sensível quanto o controle de vôo.
É preciso uma direção para superar a crise que também é de gestão, investimentos, equipamentos e semimonopólio das empresas aéreas, e sobretudo um calendário.
No momento, infelizmente, tudo deve ser questionado pois estão jogando areia nos olhos do passageiro. Quem é o responsável para superar a crise, quais são os passos que derá nos próximos dias, a partir de quanto poderemos sentir melhoras?
Nada disso ainda é respondido. O governo jogou o problema no colo da Aeronáutica, os puxa-sacos elogiam o governo, e a verdade é que a Aeronáutica não é uma solução, ela é parte do problema.
Só um gestor que consiga articular todos as pontas do problemas, poderá responder às perguntas básicas.
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